Engenharia ou Revolução do software?

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Por José Ramom Pichel Campos

O que nos dizem que acontece? Quem nos transmite o que acontece?

Como diz a Wikipédia “a engenharia do software é uma área do conhecimento da computação voltada para a especificação, desenvolvimento e manutenção de sistemas de software aplicando tecnologias e práticas de gerência de projetos e outras disciplinas, objetivando organização, produtividade e qualidade”. E isso é uma questão que se aprende nas Escolas de Engenharia informática. Tornar os modelos de produção de software que tinham um aquele artesão, a modelos industriais, e isso está muito bem. Mas às vezes um acha em falta aquelas tardes programando sem horários, ajudado por livros de criação de software no que tudo era um mistério, o diálogo com umas máquinas marcianas, umas máquinas quase islandesas, que unem frio e calor num mesmo território.

Ao melhor também o engenheiro de software islandês chamado Herbert Snorrason, participante em Wikileaks que fundou junto a Daniel Domscheit-Berg posteriormente OpenLeaks, leu um destes livros. OpenLeaks lançou-se este ano em Janeiro de 2011 e pretende dar continuidade a Wikileaks mas com uma vontade absolutamente aberta. Uma revolução no jornalismo.

Do país de Herbert, da Islândia, sabemos que foi para falência (bancarrota em castelhano) em 2008 e foi intervida polo FMI para devolver a sua dívida, mas não se nos contou nada sobre o que aconteceu mais tarde. O povo islandês derrocou a golpe de batucada nas potas ao seu governo em Janeiro de 2009, e substituiu-no por um governo que em 2010, abriu uma investigação penal contra os banqueiros responsáveis da crise, alguns fugiram do país e estão em busca e captura pola Interpol. Depois os islandeses forçaram um referéndum para bloquear o pagamento da dívida da banca e conseguiram: ganhou o “Não” com mais do 90% dos votos. Todas as famílias islandesas teriam de pagar durante quinze anos para pagar a dívida.

Hoje Islândia está crescendo. O ano que vem, o seu orçamento público terá superavit. Alguém se lembra de Grécia ou Irlanda? O secreto? Islândia negou-se a que os islandeses assumissem as perdas e deixou que a banca simplesmente quebrasse.

Os meios repetem desde há quase um mês as chamadas “revoluções” na Tunísia, Egipto, etc. Mas são uma engenharia de software no sistema político dos países árabes. Mudar ditaduras por democracias parlamentares onde realmente governam exército e mercados.

Islândia como Openleaks, pola contra não é engenharia, mas revolução.

(*) Artigo publicado na coluna Medo aos aviões, do jornal Galicia Hoxe.