Aarón L. Rivas (*) / Coma se fosse um pirata, Emílio José desembarcou na música galega anunciando, a ritmo de ‘samplers’, o seu Chorando Apréndese. Os seus inícios musicais foram com o grupo Apeiron, com quem trabalha a dia de hoje para sacar um segundo disco.
Pop, bossa nova, hip-hop… nas suas composiçons em solitário é singelo perder-se nos ritmos, nos tararás da sua voz e nas estranhas melodias que irrompem nas suas misturas. É dos impontuais, mas também é dos que chegam.
P: De onde vem o título de Chorando Apréndese?
R: Umha vez estava a discutir com um tipo sobre se o sofrimento era humano ou nom… e eu dizia «ao nascer já choravas!». Mas o título nom tem nada a ver com isso. Quando o pugem pensava em resumir o conteúdo do disco, que tem umha parte de desamor o outra sobre a independência de Ourense. O título vem dizer que até agora já choramos de avondo, e já é o momento de fazermos cousas a partir do que se aprendeu.
P: Quais som as reivindicaçons desse independentismo ourensano que aparece no disco?
R: Pois nom há mais que a de ter um Estado. A primeira vez semelha umha ideia de bombeiro, mas a medida que vam passando cousas… Por exemplo, o último foi o das caixas, que eram Vigo e Corunha quem repartiam todo. Lembro um diálogo que tiveram anos atrás Fraga e Baltar polo tema de Caja Ourense em que Fraga dixera: «José Luís, tés que pensar que o que é bom para Galiza é bom para Ourense». E o Baltar dixo-lhe: «Manuel, eu prefiro pensar que o que é bom para Ourense é bom para Galiza». Enfim, Ourense é a terceira cidade em povoamento, e acho que ninguém tem essa noçom. Ourense é para Galiza o que Galiza para o Estado espanhol. Feijóo é de Ourense e já vês, e Franco, Rajoy….
P: E dis que outro tema principal do disco é-che o desamor…
R: O disco nom é biográfico, ainda que sim há certas cousas que me acontecêrom literalmente. Nisso sim que quadra o tema das relaçons. A mim parece-me mui difícil ou quase impossível ter umha relaçom. Ademais, é que todas as cançons som sobre a mesma pessoa (sorri). É como algo obsessivo. Nom sei. Todo o mundo di: «gostaria de estar com alguém, com essa em concreto, mas nom podo…», e disso som as cançons.
P: Se quadra correm maus tempos para nos relacionarmos…
R: Há um comportamento quase infantil na gente, e digo-o também por mim. Mais que nada é que, por exemplo, tenho 26 anos e creio que nom figem nada. Eu a esta idade aguardava ter já um percurso feito. Isto é muito por como está organizado todo, o ensino, o trabalho… Passa o tempo e de súpeto tés 50 anos e nom figeste quase nada. E isto nom passa porque a gente o queira, senom que é inércia: agora há que fazer um mestrado, agora outra cousa… e chegas aos 35 anos e pareces um erasmus de 20.
P: Como vês a criaçom musical em galego na actualidade?
R: Acho que o grande problema da música galega foi o folk dos anos 90, como Carlos Núñez, Luar na Lubre… Nom polos grupos em si, a mim Berrogüetto encantava-me. Mas o folk engoliu-no todo e agora há umha espécie de ressaca ou assim e parece que estám a aparecer cousas, mas em língua galega nom vejo tanta variedade. Nom gosto da música tradicional, mas nom pola musica em si. Vás a umha festa em Quins e estám os mesmos gaiteiros de sempre a tocar o mesmo. Bom, depois está a Real Banda de Gaitas de Ourense, que é umha abominaçom!
P: És um músico que sofreste a censura. Quando escreveste Adeus, Feijóo, imaginavas que a Rádio Galega ia retirar-te do concurso A Polo Ghit?
R: Bom, imaginei que haveria muita gente que nom ia gostar, outros que diriam «quem te crês?»… Mas o que nunca pensei é que fossem tirá-la do A Polo Ghit. A minha cançom nom me é nada doutro mundo. Parece-me ridículo a estas alturas que por dizer umha cousa um musico passe isto. Se eu fosse um político ou um juiz de paz seria outra cousa, mas eu fago a minha cousa que é música. Nom é política, nem história, nem nada disso. É umha cançom.
P: Chama a atençom a presença que tenhem os meios de comunicaçom nessa cançom…
R: O de empregar os meios na cançom foi para lhe dar um toque mais vívido. Como quando em sucessos, como foi o 11-M, todos os meios fam conexons, procuram declaraçons… Aliás, os meios de comunicaçom venhem a ser como as inércias de que falávamos antes. Um jornal que sai dia-a-dia é como um dever, como se agora me chamam e me pedem fazer musica para um anúncio. Dizer que os jornalistas som os guardiáns da democracia parece-me umha bazófia. No fundo a imprensa é a extensom do Estado. Nom há nada diferente entre um da SER pondo contra as cordas a um do PP e um da COPE pondo a um do PSOE.
P: Que trabalhos tés na cabeça para o futuro?
R: Pois aguardo fazer um próximo disco, que começarei a gravar no Verao, em que as relaçons humanas apareçam como umha alegria, coma um presente. Nom só falar de amor, também de amizade e demais. Antes conto com lançar um vinil, que se vai chamar ‘Amizade’, e que vai contar com 3 temas novos mui popeiros.
(*) Entrevista publicada originalmente no n.º 91 do Novas da Galiza.
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