Por José Ramom Pichel Campos
Wikileaks ou seja filtrações através de um wiki, acaba de mostrar-nos o que há debaixo dos tapetes do mundo, o que não queremos ver, mas que é a realidade. A imprensa morreu. Viva a wikimprensa!
Sempre me surpreendeu que desde quase finais dos anos noventa, a diferença entre ler um jornal ou outro era quase a mesma, com excepção de qual era o foco de atenção. Se compravas imprensa galega logicamente saíam mais notícias daqui, mas as notícias de Espanha e do mundo eram praticamente iguais ao resto dos jornais. Se polo contrário compravas imprensa espanhola de novo saíam mais notícias de Espanha, mas as notícias de Galiza (de existirem) e do mundo eram praticamente iguais ao resto dos jornais.
Isto foi ainda pior com a chegada das televisões. Quando só havia uma, duas ou três televisões, parecia que ganharíamos em melhor informação tendo mais focos. Porém, eu tenho a sensação quando as vejo que cada vez é tudo mais monocorde, uma sinfonia já conhecida, mesmo já somos capazes de prever o que vai dizer cada meio, nada já surpreende e a venda de jornais baixa, as televisões com alguma excepção não captam mais do que a atenção em futebol e voyeurismo.
Por isso, toda a informação de Wikileaks demonstra que não é que a gente não leia, não é que a gente esteja menos preparada. Simplesmente que a gente já não confia no que diz a imprensa e os meios de informação tradicionais. Rematou a relação por falta de confiança, o suporte de qualquer uma.
Wikileaks acaba de pôr acima da mesa com dados sérios questionamentos, a que se dedicam os diplomatas norte-americanos? Espionagem? A que se dedicam os governos espanhóis? A governar para o grande empresariado e os interesses norte-americanos? É horrível mesmo pensar que até em assuntos como o do assassinato do José Couso, existam personagens como Teresa Fernández de la Vega consolando uma família destroçada e ao mesmo tempo assegurando à embaixada norte-americana que vão fazer o possível por parar a investigação.
Ron Paul, um deputado republicano norte-americano saiu em defesa de Wikileaks e declarou: “Numa sociedade livre, supõe-se que devemos conhecer a verdade. Se numa sociedade a verdade é traição, então estamos em apuros”, e rematou “podem imaginar o que aconteceria se soubéssemos os acordos que tivera a Reserva Federal com todos os bancos centrais do mundo nos últimos dez anos?”.
Poucos meios da imprensa, rádio e tv”s se atreveram a tanto. A crónica da sua morte anunciada.
(*) Artigo publicado na coluna Medo aos aviões, do jornal Galicia Hoxe.
