Por Ernesto Vázquez Souza
Lo de menos son los techos ruinosos, ventanas destrozadas y muros que se derrumban. Bien fácil cosa será, con unos cuantos puñados de oro, volver lo viejo nuevo, y convertir en cómodo asilo lo que en este momento semeja una triste ruina, a propósito únicamente para nido de búhos y ratas campesinas. Rosalia de Castro, El primer loco, 1881
Panorama: um imenso terreno, ruínas dum velho solar outrora brasonado, conjunto como de obradoiro permanente segundo se olha do Norte.
No Sul uns corpos das arquiteturas mais modernas sobrepostas a uns clássicos exemplos de arte geométrica e descomunal com que todas as ditaduras agacham a sua cobardice.
Monumentalidade nos corpos e frontões neoclássicos, ricas fachadas barrocas de sacadas sobrepostas a colunas manuelinas, restos e fundamentos góticos, árabes e romanos em confusão. No mais perto, cara ao Norte a fábrica de uma torre românica com arcos e formas restauradas.
Encostada à torre, já na parte mais achegada da desolada campa, umas velhas portas abrem seus arcos isolados. A poucos metros apenas um lenço sobre a mais dura rocha granítica lavrada em petróglifos.
Roma e antes dela também deixaram o seu legado em forma de blocos talhados, capitéis e estelas que agora constituem o alicerce ao ar do que semelha ter sido um enorme mosteiro acastelado.
Outra torre derramada, paçãa e românica esta, “mais velha que aquela mais velha que o reino” dos ilustres Ramirez, com restos barrocos e modernos das sucessivas e descuidadas reformas. Fuligem na pedra vestida de edreiras. Colada nela uma meia ogiva de gótico serôdio tendendo-se instável no ar do que deveu ser no seu tempo fabulosa, e indefinível agora, construção.
Pelo chão, formando infinitos montes e moreias, golpes de pedras, conjuntos apontados entre as silveiras e restos de formas que se elevam uma após outra em forma inquietante e informe até terminarem nas pequenas casas, palhoças e cabanas dos operários, todas compostas e esfarrapadas de cascalhos. No meio, uma outra torre, inacabada, elevada sobre cascalho e ruína, desolada, isolada e desafiante.
No obradoiro, onde se escutam incansáveis os ruídos das ferramentas, na parte segundo se vem do caminho do Leste, pode-se ver um rótulo que diz “em Construção” sobre escrito sobre outros legíveis por baixo e ainda alguns de novo reescritos: “em Construçom”, “En Construcción” “En construzón” “Em kostruzon” “em Costruçon”… pintados e mais pintados como nesses sinais das estradas.
Desde há dous séculos, os operários trabalham nesta parte, teimudos, mas sem planos e sem mais arquitetos que algum canteiro temporário ou algum bem intencionado erudito. Porém reina o caos no balbordo de vozes e trabalhos discrepantes.
Segundo se perguntar a um ou a outro operário, receber-se-á uma resposta do que se está a construir, do que se leva feito e mesmo de como há que fazer as cousas.
Por entanto no chão as catas arqueológicas de alicerces anteriores e ainda o perfil da construção no Sul oferecem ainda linhas de restauro. E, em havendo mãos, há esperança.
