Dominados

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Por José Ramom Pichel Campos

A aparição dos domínios da internet faz possível que endereços de computadores chamados tecnicamente endereços IP puderam ser memorizados polas nossas mentes.

A armazenagem humana prefere o poder da palavra dum sítio web chamado www.perdido.com do que os números 192.163.1.34/web/inicio.php. A compressão do nome do sítio facilita inevitavelmente a compreensão. Os domínios estão dominados por diferentes nomenclaturas como .com para as companhias, .org para as organizações, .edu para as organizações educativas, .tv para as televisões. A internet tem o poder de alcunhar nos seus domínios as características do próprio web, de tal jeito que saibamos através dele que é o que nos vamos encontrar dentro, uma aproximação à verdade web definitiva.

Na Galiza quando conseguir um domínio .es era tarefa complexa e muito cara, como país sempre na vanguarda, apontámo-nos na moda de atingir esse domínio, muito por diante de lugares como Catalunha, País basco ou Andaluzia que seguiam apostando polos antiquados domínios temáticos. É assim a totalidade dos jornais, caixas, bancos, fundações, universidades galegos tinham .es. É importante na internet dizer sempre o lugar físico, era claro.

Mas a história sempre é boomerangue de ida e volta para quem o lança. Os poderes do galeguismo começárom a pensar que se os catalães lançavam um domínio .cat, que devíamos mudar os domínios centralistas para outros mais elevados, e voar cara os .gal, para fazer país, a metralheta de repetiçom mediática

E pedirom-nos apoiar o domínio ponhendo como exemplos de webs da Galiza futura: labrego.gal, landra.gal, cocido.gal. Parece que não sabemos criar novos paradigmas e conceitos desde o nosso centro do mundo.

Pretender atingir .gal ou .gz para as páginas web galegas, colocou-nos na armadilha dos nacionalismos do Estado (o espanhol, o catalão, o basco e o galego). Parece que mais uma vez não sabemos canear o centro-periferia do que esperamos fugir. A força nossa na internet vai por outro lado, por voltar de novo aos domínios temáticos (.com, .org, .net, .tv), que são os que nos dam no mundo a visibilidade real, sem ter de passar por centros de Estados ou por poderes económicos pedindo permiso polo movimento. O mundo após Internet é horizontal. Os domínios de países não ajudam a um navegante que procura pola rede. Um ser e estar no mundo em igualdade de condições.

Mas o boomerangue foi da doma ao domínio. E nunca imaginamos que a história se vingara connosco desse jeito.


(*) Artigo publicado na coluna Medo aos aviões, do jornal Galicia Hoxe.