Por José Ramom Pichel Campos
É importante que a gente comece a questionar-se o uso das despesas (“gastos” em castelhano) no setor público. Claro que já sabemos que quando nas economias mesmo familiares gostamos de uma despesa, dizemos que é um investimento e quando não gostamos dizemos que é dispêndio, um disparate.
O mesmo ocorre com os países. Não importa realmente o que acontece a nível ético dentro deles, o que importa é que sejam abertos, aos mercados, dizia. É simpático o número de notícias relacionadas com a falta de direitos humanos, ou com a falta de movimento das pessoas para poder viajar em liberdade fora de Cuba que saem nos meios de comunicação tradicionais, e o silêncio brutal sobre o que acontece na China, não só já sobre o que estão a realizar em zonas como o Tibete mas também com os seus próprios cidadãos, autênticas atrocidades.
Qual a diferença? Que Cuba não tem abertos os mercados, e China sim. Ser aberto, nos mercados, é positivo, fagas o que fagas na tua casa. Por certo, alguém sabia recebeu diariamente que Tunísia era uma ditadura? Tinha aberto o mercado?
O mesmo acontece com a falta de liberdades relacionadas com as novas tecnologias por exemplo a Internet. Não importa que Google tenha filtrado os conteúdos que o Estado decide que os seus habitantes vejam ou não na China, pois não. Ser abertos nos mercados facilita que as empresas europeias desloquem a sua produção na maior parte dos casos em casos de semi-escravatura. A economia e o poder gosta? É um investimento, por tanto.
Quando o absentismo dos políticos num pais como Espanha é altíssimo, para além da disciplina de voto, e votar e dar num botão, a grande despesa que consiste em ter alguns políticos que não trabalham não é uma despesa porque eles gostam, é um investimento.
Por isso quando no Senado se estão a utilizar por primeira vez desde o ano 1978 e por mandato constitucional as línguas espanholas que não são o castelhano, representando desse jeito a riqueza da Península e cumprindo a lei, os senadores que não gostam, falam de despesas.
Em Europa o inglês seguido do francês e o alemão, poderiam ser as únicas línguas de comunicação comum. Mas isso não representaria a grande riqueza que tem Europa. Uma língua é um jeito de interpretar o mundo, uma sorte.
Gostam o resto de Europa deste grande tesouro? É um investimento.
Se me perguntam a mim, eu também não gosto dalguns senadores a quem lhes pagamos e que não trabalham. Para mim é uma grande despesa.
(*) Artigo publicado na coluna Medo aos aviões, do jornal Galicia Hoxe.
