Por José Ramom Pichel Campos
Poderia fazer uma homenagem a todas essas camadas de gente nova investigadora entre 25 e 35 anos que após teses de doutoramento, pos-doutoramentos, bolsas e bolsas, artigos e artigos, congressos de investigação, e sim buanas como receita, tentam dia a dia conseguir já não só estabilidade, mas que a gente valore todo o seu trabalho. Mas não vou fazê-lo. Não vou fazê-lo porque as evidências não precisam de homenagens essa palavra absurda, esse lugar absurdo.
Quanto duram as homenagens certas? Provavelmente deveriam durar milisegundos, com isso chega, e a continuar trabalhando, gerando novas verdades que geraram novas mentiras, o movimento eterno do sábio Heráclito da Grécia, de tantas religiões e espiritualidades George Orwell também fijo o seu homenagem a Catalunha e era tudo menos essa palavra tremenda.
Ele provavelmente referia-se mais a uma palavra mais agressivamente certa, justiça, sem mais. E por isso melhor não falar nem doutras palavras-grima como solidariedade, falemos de justiça com nome ao completo, eu chamo por ti.
O poder ainda inconsciente e trapalheiro é sábio. Precisa da deslocalização das pessoas, da mobilidade eterna, do movimento continuo para evitar que dos pés, esse instrumento, saiam raízes que se pousem na terra, procurem água, alimentos para o espírito, criem cultura, organizem o mundo. O poder essa invisível mão, esse exigente de sim sempre, até que se diz um não, pretende que miles e miles de pessoas na vanguarda do mundo, com ganas, com vontade, estejam ano sim, ano não, de mudança em mudança, de país em país, na precaridade mais absurda, continuamente tendo que se enfrentar com provas e provas que não provam nada.
Por enquanto passa isto, na Galiza anos e anos de oposições à administração pública, apresenta-te que já entrarás em listas e trabalharás, os sindicatos que cobram do Estado (em que planeta mora a esquerda?) fazendo cursos perralheiros de pontos e pontos e uma tese de doutoramento vale 0.5. O resto das pessoas pagando esta administração que permite isto, que não pára de crescer e crescer em número, colando pola porta de atrás a tanto suspenso e todos mirando para o lado.
Por isso quando vejo a tanto irmão, amigo, amiga, conhecido, colega e subcolega, dizendo mais uma vez com trinta e bastantes, com esses curriculuns de impressão, com ganas de continuar a entender o mundo, e que de novo ir embora, só me lembro, de ti justiça, e que parem os discursos vitoriosos de tanto futuro funcionário.
(*) Artigo publicado na coluna Medo aos aviões, do jornal Galicia Hoxe.
