De máscaras e fraudes

Partilhar

Por Xian Naya Sánchez

La escritura, al igual que otros instrumentos de poder, está al servicio de quien se apodera de ella.

-Cooper-

Não é que não quisessem, é que era impossível respirar.

De ser possível, seria-o só portando aquela máscara que cobria a cara toda. Essa máscara com a que resultava mais doado falar e defender o indefensível. Essa máscara com a que tapavam toda ruindade. Toda vergonha.

O ar era mesto e medonho, tornando irrespirável e daninho mesmo. Era cousa de tolos pensar em tirar com o disfarce, mas havia casos. Disque lhes caia a língua e os dentes aos corajosos que ousavam fazê-lo, impedindo-lhes falar “a bem” ou, “como dios manda”.

Se calhar essa fosse a razão de ficarem marginados. Encobertos pela fraude. Os mais valentes, que vagavam quão almas penadas pelos corredores do prédio da faculdade, deixavam que os mais novos aprendizes pousassem neles o seu olhar, assistindo impassíveis a essa cena de degradação dantesca da sua própria identidade.

A pele da face caia-lhes como por causa da gravidade. Podre. Eliminando assim qualquer aceno que pudesse resultar agradável. Os olhos, da cor da falsidade, ocultavam um passado obscuro no que ninguém procurava resposta. A investigação, é claro, não fazia parte das inquedanças da malta do lugar. Acreditavam no que lhes vinha imposto, escrito nos papéis. Esses papéis de curta vida com os que, os do “caminho certo”, jogam a fazer história. Estórias mesmo. Nunca futuro.

Vestiam roupagens velhas, descoloridas pelo tempo e a falta de higiene. Rasgadas de mais. O cheiro, característico de tais energúmenos, irrompia na harmonia, hipócrita e miserável, que parecia reinar naquelas aulas. Essas aulas onde os “donos” fabricavam a mentira. Onde a história, patranhenta, inventada a má fé por aqueles que controlavam o negócio e manejavam as canetas possuídas pelo poder do pequeno império, era prostituída e desonrada sem que lhes parecesse importar no mais mínimo. Sem que o debate crítico fosse quem de introduzir-se e rachar com essas quatro paredes. Essas paredes que afogavam a vida daquelas pessoas. A vida da Nossa história. Da nossa língua.

A imagem era terrível. O controle aos “errados”, minucioso. Brutal. O debate, inexistente.

Não é logo que não quisessem respirar, é que essa máscara não era para eles.