Partilhar

CURTOCIRCUITO celebra o seu vigésimo aniversário, com mais de 50% de filmes dirigidos por mulheres nas suas competições

A nova edição do Curtocircuito – Festival Internacional de Cinema, que acontecerá entre os dias 3 e 8 de outubro, conta com estreias internacionais, espetáculos audiovisuais e atividades especiais a cargo de referências das artes e do pensamento, como Ramón Andrés e María Sánchez.

O fotógrafo Antoine d´Agata chegará a Curtocircuito para falar da sua obra cinematográfica, num encontro com o público.

Elena Martín i Gimeno, realizadora de Creatura, completa o cartaz do festival, em que a maioria das sessões especiais monográficas são dedicadas a artistas femininas, como Anneke Necro e Arancha Brandón.

O Festival Internacional de Cinema Curtocircuito celebra o seu vigésimo aniversário, com um programa comprometido com a igualdade e com uma ampla representação internacional. Entre os dias 3 e 8 de outubro, a cidadania compostelã e os amantes do cinema podem usufruir de uma vasta seleção de filmes originários de mais de 16 países, bem como de um cartaz com shows audiovisuais de destaque e atividades especiais, que demonstra de novo a vontade da organização de oferecer um programa que transcenda a experiência tradicional do visionamento de filmes em sala de projeção.

Entre os dias 3 e 8 de outubro, a cidadania compostelã e os amantes do cinema podem usufruir de uma vasta seleção de filmes originários de mais de 16 países.

Ao longo dos seis dias do festival, os cinéfilos e cinéfilas terão a oportunidade de ver um total de 49 filmes em competição originários de 16 países, que forom selecionados entre os mais de 2.000 apresentados nesta última edição para competir na seleção oficial Cosmos, em Planeta GZ e em Supernova. Ao todo, mais de 50% destes filmes forom realizados por mulheres, o que, sem dúvida, é um sinal da importância crescente da mulher no cinema e do compromisso com a igualdade da equipa do Curtocircuito, que aposta na capacidade de liderança das mulheres e na visibilidade das produções encabeçadas por elas.

Antoine d´Agata apresenta o seu filme Atlas, onde o fotógrafo marselhês cria um delicado fio condutor entre a sua vida e a sua obra e aborda a linguagem cinematográfica a partir da prática fotográfica. Novamente, o festival coloca o foco na importância das figuras que transcendem as disciplinas artísticas na procura dum caminho pessoal que possibilite a evolução da linguagem criativa.

Antoine d´Agata (Marselha, 1961) é um conceituado fotógrafo membro da Agência Magnum desde 2004. Estudou fotografia sob a tutela de Nan Goldin e Larry Clark no Centro Internacional de Fotografia de Nova Iorque. D’Agata publicou mais de uma dúzia de livros e lançou cinco filmes. A sua obra foi exibida inúmeras vezes. Alguns dos seus fotolivros mais conhecidos são Insomnia, Vortex, Stigma, Psychogéographie, Ice e Anticorps, polo qual recebeu o prémio para melhor livro de autor nos Rencontres d’Arles.

Por seu lado, Elena Martín i Gimeno (Barcelona, 1992), uma das grandes protagonistas da temporada cinéfila de 2023, será uma das convidadas especiais desta edição. A realizadora, argumentista e intérprete estreou recentemente Creatura, um filme sobre a repressão do desejo feminino e que já venceu o prémio para melhor filme europeu na Quinzena dos Realizadores de Cannes. A realizadora terá um encontro com o público galego e abordará num colóquio a feminilidade e o conflito da mulher com a sua própria sexualidade. Martín i Gimeno também projetará, numa sessão especial, o trabalho de outras companheiras, com o intuito de refletir, com o apoio desta seleção de filmes, acerca das suas origens cinematográficas e de como foi sendo moldada a sua identidade como criadora.

Elena Martín começou a sua carreira como protagonista do filme Les amigues de l’Àgata (2015), antes de se graduar em Comunicação Audiovisual em 2016 pola Universidade Pompeu Fabra. O seu trabalho sempre transitou entre o cinema e o teatro experimental, entre a interpretação e a realização. O seu primeiro trabalho como realizadora foi Júlia ist (2017). Destaca-se particularmente o seu papel como atriz principal na multipremiada curta Suc de síndria (2019).

O tiro de partida desta nova edição será dado com a estreia na Galiza do filme O corno, da Jaione Camborda, logo após a sua estreia mundial no Festival Internacional de Cinema de Toronto -onde foi o primeiro filme galego a competir na secção Platform- e da sua estreia estatal na seleção oficial do Festival Internacional de Cinema de San Sebastián. O filme está a fazer história por ser o primeiro de produção galega e em língua galega a ganhar a Concha de Ouro. Tal como explicou o diretor artístico do Curtocircuito, Pela del Álamo, em conferência de imprensa: “É um orgulho que a estreia galega seja no festival, e, naturalmente, reforça o nosso interesse e empenho em manter um espaço de visibilidade e de apoio ao cinema realizado na Galiza. O corno é o filme galego do ano e segue os passos de O que arde e Lua vermelha, que já tiveram a sua estreia galega na abertura do Curtocircuito”.

O tiro de partida desta nova edição será dado com a estreia na Galiza do filme O corno, da Jaione Camborda, logo após a sua estreia mundial no Festival Internacional de Cinema de Toronto -onde foi o primeiro filme galego a competir na secção Platform- e da sua estreia estatal na seleção oficial do Festival Internacional de Cinema de San Sebastián.

Shows audiovisuais e atividades especiais

O programa deste vigésimo aniversário apresenta um cartaz de shows audiovisuais encabeçado por Panda Bear & Sonic Boom e Niño de Elche, com espetáculos em que a imagem e a música se fundem para oferecer experiências ao vivo que mergulham na criação audiovisual. Reset marca o primeiro lançamento conjunto de Panda Bear e Sonic Boom, em que fazem uma seleção e desconstrução de sons doo-wop e rock and roll clássicos acompanhados por visuais de Studio Sparks. Niño de Elche apresenta um show inovador, em que cria música ao vivo para dous filmes surrealistas.

Outro dos pontos altos deste ano é a estreia mundial da performance de José Venditti e a galega Marta Verde, Espectro dorado AV. A ucraniana Katarina Gryvul, juntamente com o artista visual peruano Alex Guevara, e Rapapawn com Pantis completam o cartaz de espetáculos audiovisuais desta edição.

Curtocircuito inclui ainda conversas e mesas redondas com profissionais de destaque em diferentes áreas. No ciclo de palestras desta vigésima edição, Ramón Andrés, María Sánchez, Elena López Riera, Pedro Maia, Anneke Necro, Rapapawn e Niño de Elche buscarão gerar espaços de reflexão sobre os processos de criação artística na atualidade, com base nas suas próprias experiências.

Outra das grandes novidades desta edição é que, após uma pausa de vários anos, Curtocircuito retoma a mítica Noite Malandra: uma enxurrada de sátira e humor. Desta feita a cargo de um dos coletivos audiovisuais mais interessantes do panorama estatal: Mediadistancia. Noite Malandra é uma sessão que recria a delirante experiência de adormecer a fazer scroll infinito no meio das ruínas do capitalismo tardio.

Outra das grandes novidades desta edição é que, após uma pausa de vários anos, Curtocircuito retoma a mítica Noite Malandra: uma enxurrada de sátira e humor.

A sessão inicia com a curta “WhatRemains, Genesis” de Lou Fauroux, mas a projeção transita em diferentes formatos: desde reels do Instagram e vídeos do TikTok e outras redes sociais até publicações surrealistas com baixa qualidade, videojogos imaginados, vídeos fetichistas e animação criada por IA; uma sessão bizarra e divertida que esconde um forte discurso político sobre a identidade, a representação dos corpos e a sexualidade.

Compromisso com a Galiza e com Compostela

Nesta edição, Curtocircuito renova a sua colaboração com o Cineclube de Compostela, com o objetivo de unir forças e recuperar o património imaterial da cidade e da Galiza. Desta vez lançam conjuntamente a secção paralela, em que se presta homenagem ao dramaturgo, encenador e ator Roberto Vidal Bolanho, cuja vida e obra estão intimamente ligadas à história cultural de Santiago. Nesta secção, o público terá a oportunidade de descobrir os projetos audiovisuais mais desconhecidos do criador compostelão.

Como nos anos anteriores, Curtocircuito, em colaboração com a Universidade de Santiago de Compostela e com o apoio de Santiago Turismo e da Santiago de Compostela Film Commission, lança #OutraCompostela, atividade que nasceu com a vocação de educar no cinema e que consiste num concurso universitário que usa como plataforma as redes sociais.

As crianças também terão o seu espaço para desfrutar de cinema no Curtocircuito. Nas secções Teenage Riot e Criaturas foi realizada uma seleção cuidadosa de filmes em função das suas idades.

Para concluir, destaca-se a sessão especial Terra, neste ano dedicada à Arancha Brandón, artista visual e fotógrafa originária da Guarda (Galiza). Considerada um dos novos talentos a despontar no panorama galego, o seu trabalho abrange desde o cinema até à experimentação visual. A residência artística do Curtocircuito também é dedicada nesta edição a esta cineasta e fotógrafa.

Dados

  • Total filmes a projetar: 81
  • Total filmes visionados: em torno de 2.000

Filmes em competição:

  • Seleção oficial COSMOS: 31
  • Planeta GZ: 8
  • Supernova: 9

Filme de abertura: O corno

Filmes noutras sessões:

  • Noite Malandra: 5
  • Sessão Anneke Necro: 2
  • Terra (Arancha Brandón): 6

Outras atividades:

  • Conversas e palestras: 7
  • Performances, live AV e concertos: 5 (3 sessões)

Percentagens de filmes realizados por mulheres:

  • SUPERNOVA: 6 de 9 (67%)
  • PLANETA GZ: 5 de 9 (55%)
  • COSMOS: 15 de 31 (48,4%)

TOTAL COMPETIÇÕES: 26 de 49 (53%)

Curtocircuito – Festival Internacional de Cinema de Santiago de Compostela é organizado polo Concelho de Santiago de Compostela (Compostela Cultura), com o apoio, entre outros, da Deputação da Corunha, a AGADIC e o ICAA.

Garavanços com espinafres

AGAL e ABL anunciam leitura pública continuada d’A República dos Sonhos em Santiago de Compostela e no Rio de Janeiro

Notas sobre a épica: a propósito d’Os Lusíadas e o feudalismo ibérico

Conversa com Susana Arins na biblioteca Municipal José Saramago, de Compostela, arredor da sua obra “Seique”

O Colexio de Xornalistas anuncia nova edição do Prémio ‘Somos Esenciais’

Inauguração da exposição “Sonhar a Palavra Liberdade” no Camões – Centro Cultural Português em Vigo

Garavanços com espinafres

AGAL e ABL anunciam leitura pública continuada d’A República dos Sonhos em Santiago de Compostela e no Rio de Janeiro

Notas sobre a épica: a propósito d’Os Lusíadas e o feudalismo ibérico

Conversa com Susana Arins na biblioteca Municipal José Saramago, de Compostela, arredor da sua obra “Seique”