Por José Ramom Pichel Campos
Há questões que estamos a usar continuamente nas nossa relação com os computadores e nem sabemos de onde vêm. Este é o caso das lógicas booleanas que usamos continuamente. Esta lógica está baseada em dous elementos, o “0” e o “1”. O primeiro é interpretado como falso e o segundo como verdadeiro.
Quando por exemplo queremos somar 5+8 num computador, o que acontece é que o computador não compreende o número 5 nem o número 8. Por tanto, o que tem de fazer é traduzir os números em decimal a números em binário (só têm “0” e “1”). O número 5 em binário escreve-se como “0101” e o número 8 em binário escreve-se como “1000”. Após disto, soma em binário “0101+1000” e o resultado é “1101”. Uma vez que fai isto traduz isto a um número que o entenda uma pessoa e visualiza na pantalha “13”.
Também quando queremos procurar em qualquer base de dados ou em qualquer motor de busca de internet, há muitas vezes que estamos a usar a lógica booleana ou a lógica binária mediante o uso de operadores de Boole como AND, OR, NOT, XOR, etc. Vejamos um exemplo: se fazemos a seguinte consulta num motor de pesquisas tecnológico “cas* OR *eiro” o que o computador vai interpretar é que procuramos palavras que comecem por “cas”, palabras que rematem em “eiro” e palavras que comecem em cas e também rematem em eiro.
Toda esta forma de operar baseia-se em que uma cousa é verdadeira (1) ou é falsa (0) e assim se constrói toda a tecnologia computacional de hoje, assim funcionam os computadores.
Mas nós humanos sabemos que a realidade não é zeros e uns, mas uma faixa matizável. E por isso nasceu a chamada fuzzy logic (lógica difusa), que é uma melhora sobre a lógica booleana que inclui entre o falso e o verdadeiro o matiz “talvez” ou “depende”. A fuzzy logic ajuda a resolver problemas muito complexos como genética, predição de tempo ou diagnóstico médico.
Por isso é muito simpático que as culturas peninsulares não da faixa atlântica (Galiza e Portugal) mais baseadas que nós no binarismo, confundindo responder “sim” ou “não” com ter as cousas mais claras, digam que não se sabe se subimos ou baixamos.
É compreensível. No fundo estamos mais afeitos a usar a lógica difusa, uma lógica mais complexa que a binária (por certo a mais usada na diplomacia), na que provavelmente para adivinhar o que se quer dizer, não é importante o que se diz, mas o tom, a melodia, o corpo e o jogo retranqueiro que se produz. Coitados os povos binários, tão computacionalmente previsíveis.
(*) Artigo publicado na coluna Medo aos aviões, do jornal Galicia Hoxe.
