Crise

Partilhar

Por José Ramom Pichel Campos

Aquele já mí(s)tico disco chamado Crisis, What crisis? um jogo de palavras para ficar como estávamos, era no fundo um aviso de futurologia. Como disse outro dia um dos muitos ionques que respiram na praça de cervantes, por enquanto visitava um centro social da cidade de Compostela, dizia, crise aqui não há!, porque sempre houve, desde que ele lembrava.

Há crises para todos os sabores, trabalhos, empresas, famílias e relações. O mundo parece eternamente estar em crise ou isso é o que nos contam. Os dicionários falam de crise como no Webster “um ponto decisivo no curso de qualquer cousa; momento, etapa ou evento decisivo ou fulcral”. Também noutros dicionários definem: “o ponto decisivo no curso duma doença, quando se ve mais claro se o paciente viverá ou morrerá”.

Existe também no software como parte da vida, a crise. Mas para muitos teóricos o que existe em realidade é uma afecção crônica que já leva muitos anos vigorante. E a crise do software é por causa não só polo software que não funciona corretamente, mas também por como manter todo o volume de software já desenvolvido e como é que deveríamos afrontar as imensas esperanças postas polos utentes dos computadores.

Os erros que aparecem continuamente no software produzem falta de confiança. Mas existem outras problemas na engenharia do software como não ter dados sobre o desenvolvimento de software, sem históricos não há futuro. A insatisfação dos clientes com os sistemas já terminados. A comunicação entre os utentes e os engenheiros são escassas.

A natureza lógica do software é um dos maiores retos que tem tido a humanidade desde sempre. Pola primeira vez podemos comunicar-nos com uma máquina que até às vezes parece inteligente. Pura fição científica de telejornal.

Por isso quando nos falam da crise financeira, com esses retos da riqueza por ser mais riqueza, por eliminar o controlo financeiro como força da razão, penso que no fundo parece que nós sejamos as máquinas a programar. Parece como se os grandes poderes do mundo, comandados polo mediático, queiram conseguir que acreditemos que tudo isto era inevitável, programar nos nossos dia-a-dias que o sistema precisa reflotamento por parte de todos. E o que realmente sentimos é falta de confiança com esta economia que nos desgoverna.

Assistimos impacientes a saber se a crise deste capitalismo que condena a uns, por nascer aleatoriamente onde nascem, e nos salva a outros polo mesmo critério, vive ou morre, já definitivamente.


(*) Artigo publicado na coluna Medo aos aviões, do jornal Galicia Hoxe.