Por José Ramom Pichel Campos
Dizia Antón Reixa no seu mítico CD-ROM chamado Escárnio, aquela canção de Nordesia: “disque a resposta amigo está no vento, non hai vento?, non hai resposta”. E agora que parece que o mundo se pára, para alguns quanto menos, polo resultado do concurso eólico de Indústria, é o momento de refletir, porque estamos em guerra, não esqueçamos.
E então também tenho de falar do grande pensador Agustín García Calvo, nesse livro já mítico “contra la paz, contra la democracia” na que expõe falando sobre a primeira guerra do Iraque: “a estas alturas el curso mismo de los acontecimientos a muchos de vosotros ya os ha mostrado la condición de farsa, la condición de falsedad que tenía ese montaje y cómo no era de verdad ninguna guerra, cómo era un invento y una chapuza sangrienta, por supuesto, cuya finalidad principal era tener entretenida a la gente, como la ha tenido durante ocho meses a falta de otros medios de entretenimiento más eficaces. Tenerla entretenida y hacerle creer, por ese falso contraste, que, efectivamente esto que tenemos aquí en el mundo desarrollado, es una paz…”
A grande vitória dos meios de comunicação de massas como é a televisão ou a imprensa, foi que cremos que os problemas, as prioridades, as liortas do Poder neste mundo desenvolvido, são os nossos problemas, prioridades e demais substantivos. Por isso não surpreende que os grandes poderes e os seus cabeçalhos, que levam não anos, mas séculos, governando (no sentido semântico que tem em Terra de Montes) estejam nervosos. Não ocorre o mesmo com os meios de comunicação entre massas, como é a internet, onde as questões são outras, as prioridades são outras, o poder é horizontal, os ricos são os que mais tempo têm para escrever.
Mas o ar deste globo que somos todos, ao poder velho e ao poder novo se lhe escapa. Ao fim e cabo o poder, não é consciente que a sociedade pésie a editos, constrói-se desde abaixo. Que as pessoas têm a última palavra para dizer não, não quero, nesse oceano de sim, sim quero.
Por isso, quando os moinhos de vento comecem a funcionar, todos saberemos que a resposta está no vento, que a paz existe sempre que não se toquem os privilégios dos poderosos, ou seja, somos livres de fazer o que nos deixam. Que seguirá a existir o dia a dia, as conversas, as comunidades, a internet para expressar o que sim é prioritário, e que os montes estarão mais cheios de artefatos e novos petos dirão que tudo vai melhor. Por isso para o 2009, saúde e rede!
(*) Artigo publicado na coluna Medo aos aviões, do jornal Galicia Hoxe.
