Contos binários

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Por José Ramom Pichel Campos

Conto 0: Os sumarizadores são uns artefactos de processamento textual que usando métodos estatísticos convertem um texto em linhas de texto resumidas. Com estas aplicações somos capazes de ler livros como Mayombe de Pepetela, extrair os parágrafos mais relevantes e poder falar com absoluta valentia em qualquer um grupo de leitura que pretenda entrar no mundo do grande escritor angolano. Pensei em vender resumos automáticos de livros por Internet para pessoas que queiram disfar- çar-se de intelectuais.

Conto 01: que se passaria se as línguas do mundo, fundamentalmente as europeias em vez de chamar-se polo nome do país matriz, isto é, espanhol, português, francês, inglês, etc., se chamassem por acrónimos (IC3, AP34, E34, O45). Além disso, cada um destes acrónimos teria várias versões, como as aplicações informáticas em geral. Poderiamos aceitar sem chauvinismos galegos, portugueses e brasileiros que falamos diferentes versões da mesma língua chamada AP34, por exemplo?

Conto 10: Na Galiza nunca nos convencem mas vencem os factos, nomeadamente aqueles que acontecem a vizinhos quando lhe vai bem no empreendimento. Só arriscamos quando vemos que ao de lado lhe vai bem. Se há uma cafetaria cheia, criamos dez mais na mesma rua não vaia ser o demo. Afinal todos pobres.

Conto 11: Questão de estatística. Nos ciclos de cinema de filme legendado, exércitos de cartões perfurados, como aqueles que programavam os primeiros computadores, com notas de 1 a 10, voam para urnas que decidem quem ganha os votos do público. Quem imagina que muitos deles já levam desde o início a nota 10, só para contrapesar os que vão de favoritos, por equilibrar o mundo suponhamos.

Conto 100: A tecnologia de Cortar e Colar já se inventara quando a polícia para poder marcar a aqueles que pensavam diferente, e que supostamente estavam organizados, fazia auto-colantes que-cortava na esquadra de polícia, com fundo branco e duas letras pretas de primeiro plano, e logo vendia no mercado. Os utilizadores que-colavam o auto-colante marcavam o seu destino.

Conto 101: Nunca mudaremos o vento dizia a letra duma canção. Isso é o que pensam mi- lhões de utilizadores de computadores que não se deixam manejar por ninguém. São os novos garanhões neste far-west que teimamos em chamar mundo civilizado.


(*) Artigo publicado na coluna Medo aos aviões, do jornal Galicia Hoxe.