PGL – O Conselho de Ministros de Cabo Verde aprovou no passado dia 22 um decreto-lei que institucionaliza o Alfabeto Unificado para a Escrita do Crioulo Cabo-verdiano (ALUPEC). Segundo a porta-voz governamental, Janira Almada, o português continua a ser a língua oficial do arquipélago, mas o projecto de revisão constitucional prevê a oficializaçom do crioulo.
Para contribuir neste processo, será criada umha institiuçom que acompanhará a implementaçom do ALUPEC, consagrado como alfabeto experimental em 1998, e defendido polo actual governo por respeitar «cada umha das variantes da língua crioula em todo o arquipélago».
Precisamente, a conjugaçom da escrita comum com o respeito das variantes dialectais foi um dos argumentos mais utilizados polo executivo cabo-verdiano para promover o ALUPEC. E é que apesar de Cabo Verde ser um pequeno arquipélago, a insularidade fizo com que cada umha das nove ilhas desenvolvesse a sua própria forma de crioulo, geralmente classificados em dous grandes grupos, os de Barlavento (ao Norte, falados em Boa Vista, Sal, São Nicolau, São Vicente e Santo Antão) e os de Sotavento (ao Sul, os de Brava, Fogo, Santiago e Maio).
A codificaçom do crioulo, língua materna da maioria da populaçom cabo-verdiana, começou no século XIX, e na primeira metade de XX implementou-se umha escrita de base etimológica. Em 1979, quatro anos após a consecuçom da independência, em Cabo Verde organizou-se um congresso para a valorizaçom do crioulo, e dez anos depois um fórum para a alfabetizaçom bilingüe. Como conseqüência da actividade científica acabaria por surgir a proposta denominada ALUPEC, que a partir de agora será institucionalizado como alfabeto.
+ Ligações relacionadas:
- Crioulo de Cabo Verde [Wikipédia]
- Alfabeto Unificado para a Escrita do Crioulo Cabo-verdiano (ALUPEC) [Wikipédia]
