Por José Ramom Pichel Campos
O mundo é como na tecnologia, as máquinas virtuais. Podemos ter num computador instalado o Linux e ter uma máquina virtual de Windows, e também ao contrário.
Assim, quando estamos num computador que está a usar máquinas virtuais chega um momento que nem somos conscientes de qual é o sistema operativo original do computador, qual foi com o que iniciamos o nosso trabalho. O virtual face o real. Somos livres no fundo de fazer o que nos deixam.
Somos livres de usar o sistema operativo que o administrador de sistemas decide que a máquina virtual lance.
Por isso, vivemos tempos de confusão. A gente não sabe a quem vota, tudo é a virtualidade. Estamos instalando um programa em Linux mas na realidade trabalhas em Windows, e que faces têm os mercados? Quem fala não fai, quem fai não fala. E já parece uma filosofia oriental, ou da tradicional sabedoria galega e “vamo-la virando”. Moramos na máquina virtual das nossas vidas e querem convencer-nos que moramos numa máquina, na engrenagem do que vemos.
Respiramos na confusão de para que investimos nas Universidades, se não somos capazes de oferecer contratos -já nem digo dignos- aos investigadores, e Alemanha leva a preços baratos os engenheiros pagados durante anos. Quando eu estudava, o rátio do que pagava o Estado e o que pagavam as famílias num curso técnico era quase de 1 a 7. E assim durante todos os cursos. O que investe Alemanha num só ano, é nada comparado com o que pagaram famílias e Estado. E todos já com o título no braço.
É simpático também saber que Alemanha pede que os engenheiros já tenham um bom nível de alemão. Desse jeito, as férias dos futuros engenheiros será em Berlim para lá aprender alemão. Não só poupam o dinheiro da formação universitária, ganham o turismo linguístico. Aqui na Galiza quem exige ter nível de português galego ou espanhol para trabalhar nas empresas? Os súbditos sempre se adatam.
Confúcio dizia, “Exige-te muito a ti mesmo e espera pouco dos demais. Assim poupar-te-ás desgostos”.
Por isso no tempo do Confusionismo, seria bom, preciso e além disso necessário começar a educar de forma maciça às gerações nas Universidades, seja qual for o grau universitário que estejam a fazer, que é possível trabalhar desde cá para o mundo, que é possível não ter de exportar mão de obra qualificada a lugares como Alemanha, que o mundo começa aqui e agora, que não esperemos dos demais, que só depende de nós e da nossa capacidade Atlântica. Ao melhor pouparemos os desgostos.
(*) Artigo publicado na coluna Medo aos aviões, do jornal Galicia Hoxe.
