Por José Ramom Pichel Campos
Existem tantas ferramentas matemáticas que tivemos de aprender de cativos, e que nunca soubemos na vida real para que se utilizavam? Quanto menos para os da minha geração. E nisso, estou convencido que é uma das causas polas que a gente não gosta da matéria de matemáticas. Por suposto que não são os idiomas a causa. Nunca me explicaram para que se utilizavam as equações de segundo grau no mundo real, nunca me explicaram porque era importante saber o que era um espaço vetorial, ou porque as meias aritméticas eram boas, mas era melhor saber também as desviações típicas. Nem lembro a quantidade de cousas úteis que aprendim, ou quase aprendi, ou quase esqueci ou definitivamente esqueci que passados os anos tornaram tão imprescindíveis e tão interessantes.
Uma delas foram as variações, as permutações ou as combinações, esse grupo que formam a combinatória. Essas matérias que se estudavam já em primeiro de BUP que as gerações de agora nem lembram o assunto, como quando a nós nos falavam da segunda reválida. As variações de m elementos tomados de n em n chamava-se-lhe aos diferentes grupos que se podiam formar com n elementos de jeito que não entravam todos os elementos, sim importavam a ordem e também não se repetiam os elementos.
O conceito da combinatória foi introduzido na obra Dissertatio de Arte Combinatória polo matemático e filósofo Leibniz, um dos grandes génios da humanidade. Com esta obra para além da de Bernoulli chamada Ars Conjectandi iniciou-se um dos galhos da matemática que ia dar lugar também à teoria das probabilidades de amplo uso na atualidade em quase qualquer tema relacionado com os computadores e com as ciências da computação em geral.
A teoria das probabilidades nascera também por causa do baralho de cartas. A aristocracia que tinha de passar o tempo não precisamente em trabalhar estava obsessionada com os jogos do azar. E assim jogando às cartas ou também nos dados perdiam muito dinheiro em grandes apostas. É por isso que começaram a fazer-se estudos de cada quantas tiradas podiam sair certas combinações de dados ou cartas.
Por isso tudo este jogo textual não era mais que para dar uma pequena homenagem a todas essas pessoas anónimas como a minha mai, que se jubilou na semana passada, que educam a tantos nenos e nenas na matemática e demais, ensinando-lhes ano trás ano (mais de 40) a aprender e o importante que é esforçar-se em aprender. Uma combinatória de pessoas magníficas que educaram a tantos presentes e futuros.
(*) Artigo publicado na coluna Medo aos aviões, do jornal Galicia Hoxe.
