Com música de fundo de Linkin Park



linkin-parkJá está, mais um reintegracionista a fazer um artigo incompreensível sobre a língua. Que se o galego internacional che permite falar com milhões de persoas. Que se o galego internacional é o mais coerente com a história da língua. Que se o galego internacional lava mais branco e deixa a tua roupa com aroma de flores. Que léria tenhem. Seguro que mete alguma palavra estranha polo meio, como utente. Ou estagnaçom. Ou focagem. Nom sei, a verdade, porque nom vou ler mais que as primeiras linhas. Isso, se consigo passar do título.

Assim é como vos imagino. Como te imagino a ti, que estás a ler isto. Se é que o estás a ler. Bom, se nom o estás a ler entom imagino-te fazendo algo bem mais produtivo, como limpar o lixo que se mete entre os azulejos da cozinha ou cortar as unhas dos pés. Mas imaginemos que estás a ler este artigo, e que estás a pensar o que dixem no primeiro parágrafo. Nom te culpo. No reintegracionismo somos bastante maçadoras com o nosso tema. A notícia ruim é que este artigo nom é uma exceçom, de maneira que podes deixar de ler por aqui. De verdade, nom fai mal. Foi um prazer que lesses estes dous parágrafos.

Bem, suponho que entom já só restamos as nerds da língua. Fantástico, porque é convosco com quem quero falar. Quero falar com “os meus” e com “os outros”. Com as persoas que fam artigos longos e grandiloquentes a cagar para castrapistas inventa-palavras, e com as persoas que fam artigos longos e grandiloquentes a cagar para lusistas vende-línguas. Sinceramente, agora que os vejo assim descritos, até nom saberia dizer qual desses bandos deveria considerar “os meus”. Provavelmente, nengum. Em qualquer caso, é a ambos a quem me quero dirigir com uma mensagem simples e direta. E, como quero que fique o mais clara possível, vou deixar de lado os modos subliminar e liminar e vou optar polo superliminar: TEMOS QUE DEIXAR DE ROMPER A CABEÇA À GENTE.

Cantavam as Ataque Escampe no seu famoso Tango do sintasol: Estás-me a quentar a cabeça e estás-me a enfriar o coraçom.

Cantavam as Ataque Escampe no seu famoso Tango do sintasol: Estás-me a quentar a cabeça e estás-me a enfriar o coraçom. Esperai, essa é uma referência atual? A cançom é de… 2007. Já passárom 13 anos. Mimá, odio fazer-me velho. Vou usar entom uma referência a Verto e o seu Puro Ócio: Que me faga sentir que a vida é algo mais que pelejar. Que quero dizer com isto? Que os nossos debates estám bem. Mui bem. Alimentam as nossas autoestimas porque sempre nos pensamos vencedoras. Som bons passatempos e até necessários nos seus específicos âmbitos académicos. Sem dúvida. Mas som uma péssima maneira de promover a língua. Nós estamos aqui a encher páginas e páginas de jornais com as nossas teimas, e mesmo com batalhas de egos e inimizades persoais, quando a gente aí fora está a deixar de falar galego. A mocidade já nom tem o galego como primeira língua. Fala-se cada vez menos galego, e esse galego está cada vez mais castelhanizado. No nosso barco nom deixa de entrar água e nós, piratas da linguagem, estamos a pelejar por ver quem é o capitám. O capitám pirata dum barco que está a afundir. Tanta água e verás como ardemos para sempre.

Nós estamos aqui a encher páginas e páginas de jornais com as nossas teimas, e mesmo com batalhas de egos e inimizades persoais, quando a gente aí fora está a deixar de falar galego. A mocidade já nom tem o galego como primeira língua. Fala-se cada vez menos galego, e esse galego está cada vez mais castelhanizado. No nosso barco nom deixa de entrar água e nós, piratas da linguagem, estamos a pelejar por ver quem é o capitám.

Entom, já que tanto sei e tanto falo, qual é a soluçom a tudo isto? Ai, se a tivesse! A vida seria maravilhosa! Nom sou um Sr. Lobo que ressolva problemas. Podo, no máximo, dar alguma ideia. Nom sei, e se deixamos de pelejar? Podemos dizer à sociedade: Ei, temos aqui o galego internacional, com estas características. E temos aqui o galego RAG, com estas características. Nom sodes melhores nem piores por usardes um ou outro. A escolha é vossa. Podemos mesmo, e isto já é uma ideia tola, falar de cousas que nom sejam a língua. Falar de videojogos, de cuidados do cabelo, de séries de televisom, de Pabllo Vittar e a performatividade do género, de dramas afetivo-sexuais, das leis de Newton em Dragon Ball. E desfrutar de tudo isso, sem questionar se a autora preferiu escrever joaninha ou xoaniña. Ou rei-rei.

Ou se quadra nom. Se quadra a soluçom é continuarmos a combater até exterminarmos o inimigo. Ou até sermos exterminadas. Ou até acabarmos convertidas em duas ratazanas a pelejar por um churro com música de fundo de Linkin Park.

Jon Amil

Jon Amil

Jon Amil (Vigo, 1988) é um célebre escritor galego. As suas obras som geralmente distribuídas em formato post-it de maneira manuscrita, com desigual acolhida. Assim, relatos como "Deixo-che aqui os 10€ que che devia" fôrom bem recebidos, enquanto outros como "Mamã, saim com os meus amigos. Chegarei tarde. Nom esperes desperta", resultárom amplamente criticados. Atualmente deu o salto às novas tecnologias e as suas últimas obras, como "Merda! Gastou-se o butano e tivem que me duchar com água fria!", podem ser consultadas através do Twitter.
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