CC

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Por José Ramom Pichel Campos

No mundo dos acrónimos provavelmente é o que usamos mais diariamente sem nos decatar. Um CC que pode ser tantas cousas, mas um CC eventualmente relacionado com o correio eletrónico, ou e-mail. Mas este CC ou seja o Carbon copying, é uma técnica que muitos lembramos para fazer uma cópia ou várias dum documento em papel. Basicamente consiste em meter um papel de carbão entre os dous papéis que queremos copiar, a ordem seria a seguinte: primeiro o que queremos copiar, logo o papel carbão e finalmente o documento onde copiaremos o resultado. Esta técnica finalmente desapareceu do mundo ocidental quando aparecerom as fotocopiadoras, uma tecnologia que se come a outra.

No entanto, sobretudo o CC mora connosco nos correios eletrónicos, esse crónimo que vive debaixo do “To” que indica o correio aonde queremos enviar textos, imagens ou esses powerpoints arma de destruição maciça. Os correios que ponhamos no CC que em Portugal significa para além do seu nome original “Com Conhecimento”, receberão uma cópia do texto, das imagens ou de qualquer cousa que enviemos, por tanto é uma nova funcionalidade dentro para o carbon copying original, mas com conhecimento.

Existe também um outro CC chamado BCC que não é mais do que acrónimo de Blind carbon copy, quer dizer, que os correios eletrónicos que ponhamos nesse apartado obterão o mesmo que os anteriores, mas ninguém saberá com excepção de quem envia o correio que estão a receber o mesmo que os correios do “To” e os correios do “Cc”.

Não chegarom a quantidade de CCs enviados para que a RAG lhe dera votos suficientes ao CC (Carvalho Calero) para o próximo ano das letras galegas, mais um. E não aplico descontento nenhum por o Uxío Novoneyra conseguir a celebração, excelente poeta, vamos-che fazer a parcelária.

O CC é provavelmente o escritor, palestrante e catedrático de filologia que resta com mais méritos para que se celebre um novo dia das letras. Mas sem falar dos méritos, foi pessoa capaz de abrir novas portas, novas focagens para a língua, novas estratégias, mudou a sua percepção do que era o idioma, afirmando sem medo que temos língua internacional, que não fai sentido não aproveitar essa potencialidade. CC mandou muitas cópias do seu pensamento a cada vez mais gente à que já não lhe chega a conceição atual do idioma.

CC foi uma pessoa com ideias inovadoras para o idioma, um pensamento tecnológico até. Mas vivemos num mundo que não é capaz de celebrar os seus dissidentes, sempre é melhor que nada se mova.


(*) Artigo publicado na coluna Medo aos aviões, do jornal Galicia Hoxe.