Por José Ramom Pichel Campos
Em tempos de crise não fazer mudança” dizia Inácio de Loiola há mais de quinhentos anos. E os galegos, parecemos alunos avantajados do estratega da contrarreforma.
Mas eu queria falar de Índia, que está a ser nestes momentos com as suas fábricas de software fundamentalmente em Bangalore, com modelos de qualidade CMMI de níveis 2 até o 5, um dos grandes referentes mundiais no desenvolvimento de tecnologia da informação mundial.
Ou falar da Europa que continua a ser protecionista para os índios, não permitindo instalar factorias em solo europeu, mas sim deixando que desde aqui se poda comprar tecnologia de lá. É claro o jogo do capitalismo: tu abre totalmente o mercado que eu por se acaso já tenho protegido o meu.
Ou escrever sobre o Brasil que é a potência mundial fundamentalmente em desenvolvimento de tecnologia de software livre. Como Índia é continente cheio de línguas com o português como interlíngua. No Brasil o governo do Lula da Silva promociona fortemente a tecnologia livre, com o fim de rachar fosso digital e poupar dinheiro favorecendo à indústria brasileira, a melhora continua e a interoperabilidade entre os seus sistemas.
Também, Venezuela acaba de comprar-lhe a Portugal computadores netbook chamados Magalhães, que está a usar para todos os alunos do ensino preuniversitário. É a mesma estratégia que Zapatero quer implantar de one-laptop-for-children, ou seja, a cada meninho, um computador portátil. Os Magalhães são para além de lindos, rápidos e irrompíveis (em teoria), testados por se lhes cai plastilina ou líquidos.
A China é um universo, onde para além de falar chinês mandarim, falam também a nossa língua no lugar de Macau, ex-colónia portuguesa, com um dos maiores casinos do mundo, porta de entrada para um mundo onde a tecnologia tem um crescimento espetacular.
Rússia, esse país cirílico, tem empresas tecnológicas de tradução automática que estão a competir com as americanas. Tem grandes matemáticos criadores de grandes inventos como o Tetris e fornecedores de fundamentos para a computação.
Com tudo isto, Brasil, Rússia, Índia e China (BRIC) acabam de assinar a semana passada um protocolo para enfrentar-se ao G-8, ou seja, um novo império formado por quatro países, quatro economias e provalvemente como os outros impérios novas alianças militares.
Ao mesmo tempo, governos e oposiçoes galegas passam e em tempos de crise também não fazem mudança. Galiza poderia ser uma potência tecnológica, polos seus talentos e sobretudo polo seu idioma.
(*) Artigo publicado na coluna Medo aos aviões, do jornal Galicia Hoxe.
