Por José Ramom Pichel Campos
Em Outubro de 2009 Juan Pastor Bustamente, diretor de Inovação da empresa aragonesa de produtos de alta montanha e referência mundial na venda de produtos através da Internet, comentou num curso de criatividade em Santiago de Compostela: “Tenemos varias plantas por el mundo menos en Brasil, ¿Por qué? Porque tenemos el problema del idioma“. Em Novembro de 2009, Narcís Serra presidente atual de Caixa Catalunya declarava o seguinte numa entrevista em CNN+: “La estrategia de España debe pasar por latinoamérica, sobre todo ahora que hay un liderazgo claro llamado Brasil. Nuestra única dificultad es el idioma“.
Esse mesmo mês, Miguel de la Quadra Salcedo, conhecido aventureiro e diretor da “Ruta Quetzal” declarava na sua chegada a Santiago de Compostela: “En la misma lengua, hablan, incluido Brasil, Portugal y Galicia, un mismo idioma“.
No ano 2010 um empresário viguês da indústria pesqueira disse numas jornadas em Vigo: “En igualdad de condiciones en Brasil siempre ganamos los proyectos los gallegos. ¿Por qué? Por nuestra pasión por el fútbol y por la lengua“. Perguntei qual era a língua. Respondeu: o galego.
Nos últimos tempos destacados directivos de empresas TIC espanholas e não só têm apontado ao Brasil como um dos mercados das economias emergentes mais atraentes. Os principais desafios apontados polo empresariado espanhol são um quadro de livre de comercio e o idioma.
Sobre o primeiro, a Rede de Oficinas económicas e comerciais de Espanha no exterior comentam: “Brasil y la Unión Europea siguen trabajando para resolver sus diferencias con el objeto de llegar a un acuerdo de libre comercio que creará la zona de libre comercio más grande del mundo, lo que significaría una inmejorable oportunidad para los exportadores e inversores españoles”.
Sobre o segundo, só Extremadura tem un plano de fomento do português como língua do futuro, apostando claramente para que seja a segunda língua da comunidade autónoma nos próximos anos. Em 1996, 600 alunos; em 2006 mais de 9.000. Extremadura concentra perto do 70% dos estudantes de português espanhóis. Na Galiza no ano 2010 há 2.700 alunos aproximadamente.
Galiza tem dous idiomas extensos e úteis. A nossa economia já se esta a aproveitar oficialmente das vantagens do espanhol e do galego ainda só de jeito oficioso no Brasil ou em Portugal, mas sem uma aposta clara e estratégica da administração pública e do empresariado. Só depende de nós.
(*) Artigo publicado na coluna Medo aos aviões, do jornal Galicia Hoxe.
