As religiões das maçãs

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Por José Ramom Pichel Campos

Muita gente já sabe o que é que significa a palavra religião. Desde o latim significando “qualquer culto dado a uma divindade”, “ligar novamente” ou simplesmente “religar”.

E tudo nasceu para a a religião judeu-crista no Jardim do Éden, no que segundo esta mitologia que simboliza os primeiros humanos, Deus criou duas árvores, uma que representava a árvore da vida e outra que representava a árvore da ciência do bem e mais do mal. Adão e Eva cometeram um pecado ao comer o fruto da árvore da ciência do bem e do mal, representado por uma maçã. E o pecado foi e vem sendo para os seguidores desta religião, esse desligar da vontade das leis que Deus definiu como linhas vermelhas que não podem ser trespassadas.

A religião católica tem vários termos associados que rodeiam a crença num Jesus de Nazaré muito diluído polo Paulo de Catarso, esse neoconverso que transmitiu ao mundo grego a crença num deus quase de novo Padre autoritário e até barbudo, muito ao contrário do proclamado polo de Nazaré, onde era chamado de “papá”. Os termos são muitos: o presépio (pesebre em castelhano) onde nasceu o meninho Jesus, fatos quase impossíveis de acreditar com a razão (os chamados milagres), dirigentes infalíveis que vestem de branco, discursos que se difundem a milhões de pessoas por via televisão ou por via da internet, venda de produtos rodeados de mistério, apagamentos da história daquelas épocas escuras das que não gostam, e por último esse gosto polo sistema binário (céu-inferno).

Sempre tenho a mania da reviravolta infinita, esse gosto polas nuvens, andar pola semana pensando em que escrever, as contradições, os paralelismos, sei lá. Mas tenho de falar tecnologia e o artigo acaba.

Apple nasceu numa garagem que se adora nos Estados Unidos, contradições conseguiu fatos incríveis como deslocar a Nokia como empresa líder em telefonia móvel, o dirigente (Steve Jobs) é um líder espiritual que viste de preto, fai discursos infalíveis repetidos até o limite para os diretivos do mundo, vende produtos tecnológicos rodeados de mistério, agacha qualquer responsabilidade nas mortes de trabalhadores chineses por stress nas plantas de produção tecnológica em regime de semi-escravatura chinesas, trabalha e processa tecnologia baseada no sistema binário (céu-inferno).

Por isso, quando me dizem que há que acabar com as religiões das maçãs e doutras frutas, relembro que o contrário de uma religião sempre é outra. Os humanos temo-lo implantado no chip.

 

(*) Artigo publicado na coluna Medo aos aviões, do jornal Galicia Hoxe.