Por Pablo Gamalho Otero
Como disse no meu anterior artigo no PGL, o rascunho de decreto abria as portas a introdução do português como língua de imersão no 33% das aulas, permitindo assim que o galego-português atingisse o 66% do total, já mais perto da imersão total. Ora bem, infelizmente, o novo anteprojeto de decreto coloca dous novos requisitos que restringem esta possibilidade, embora sem travá-la completamente.
Por um lado, o anteprojeto introduz no parágrafo sobre as línguas estrangeiras a expressão ‘inglés principalmente’, algo que não aparecia no rascunho, onde apenas se utilizava o termo genérico ‘lingua(s) estranxeira(s). Por outro lado, o anteprojeto também introduz a obriga de submeter o projeto de imersão duma língua estrangeira à Conselharia de Educação. No rascunho, só era obrigatório passar pola Administração autonómica no caso das cadeiras troncais. No resto, bastava com um acordo interno do Conselho Escolar de cada centro.
Estas duas restrições fazem pensar que os redactores do anteprojeto querem pôr mais travas legais para impedir os centros promoverem a imersão noutras línguas distintas do inglês. Significa isto que se derom conta finalmente que a imersão parcial em português era realmente possível? Não sei. Não tenho a certeza de que atuaram deste jeito por medo a uma avalancha de demandas de cadeiras em português. Pode ser que estas duas decisões fossem motivadas simplesmente por razões de natureza burocrática. No entanto, não se pode descartar que os novos requisitos sejam uma reacção explícita frente ao pavor de que se consolidem nalguns centros o terrorífico 33%+33%.
Porém, a porta não está completamente fechada. O anteprojeto permite que um professor solicite ao centro ministrar em português. Este elaborará um projeto linguístico, reordenando o equilíbrio galego-castelhano do resto de cadeiras, que submeterá à Educação. Se o projeto está correto, Educação deveria aprová-lo. Se não o aprova, terá que justificar por quê. É aqui onde se pode atuar. Os professores e centros escolares mais ‘militantes’ podem submeter projetos de imersão em português que, em caso de serem rechaçados, poderão utilizar como arma política contra a Conselharia. Talvez estas ações ajudem a falarmos mais na ágora pública do português e menos do inglês no ensino não universitário. É só uma ideia. Já agora, era bom ajudar e motivar todos aqueles professores que queiram ‘atuar’.
