Árvores

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Por José Ramom Pichel Campos

Existe uma famosa definição do que são os programas do Niklaus Wirth, que definia já há tempo que os programas, quer dizer o software, essa parte cheia de lógica que governa muitos computadores e também às vezes tantos humanos, que ele é um somatório de algoritmos + estruturas de dados. Isto é a essência do programa, e ninguém renega dela.

Que são os algoritmos? Pois uma série de passos lógicos que solucionam um problema. Que são as estruturas de dados? Pois como organizamos os dados que precisam os algoritmos.

Estas estruturas de dados podem estar organizadas de muitos jeitos, desde estruturas básicas como são as variáveis, quer dizer, zonas na memória dos computadores que armazenam diferentes valores que vão desde números, caracteres, cadeias de texto ou tipos de dados mais complexos.

Sobendo em complexidade, existem os arranjos que são em vez de uma só variável, várias que estão armazenadas em posições contíguas de memória. Os arranjos se são bidimensionais, são as chamadas matrizes de tanta utilidade na vida real. Estas são como aquele brinquedo de “Afundir a frota” no que tínhamos filas e colunas e barcos. As filas e as colunas são a memória dos computadores e os barcos são os dados armazenados nela.

Outra estrutura muito utilizada nos programas para guardar a informação são os chamados ponteiros, também os grafos que são como um mapa de estradas onde há vários nós e linhas que os conetam, cada uma das linhas que os coneta pode ter o dado da distância, ou o dado do que custa ir de um nó a outro, ou outro tipo de informação.

Por último existem as árvores, que são estruturas de dados que têm a aparência duma árvore, onde existe um nó inicial ou raíz e depois dele saem várias pólas, das que pola sua vez saem outras e outras assim até chegar a uma altura determinada. A profundidade é o número de níveis que têm as árvores. Usam-se para definir árvores genealógicas e obter automaticamente quem é o cunhado do genro do teu tio.

Ensinarom-me na casa, que não há maior tristeza para um ser humano que o que esquece as suas raízes. Com isto da questão da língua, parece que de súpeto os avós de todos nós fossem de Manhattan ou de Madrid. Os citadinos perdidos nas profundidades das suas árvores, da sua programação, esquecerom o seu nó raíz, que era do rural e falava galego, uma língua falada por mais de duzentos milhões de pessoas no mundo. Mas pésie os esforços por apagá-las, as árvores não desaparecem da memória tão facilmente.

 


(*) Artigo publicado na coluna Medo aos aviões, do jornal Galicia Hoxe.