Arrumar na cidade

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Por José Ramom Pichel Campos (*)

E dar voltas e dar voltas. Armados de paciência, nas festas de nadal, esse lugar comum de bacalhaus com couve-flores de ceias e também sei lá o que acontece, de reencontro, essa época única do ano no que se fecha, e cada um/uma fai suas contas e relembrar tudo o que aconteceu, uma música harmónica e também o que não dá jeito, mas que fortalece. E deslocamentos familiares, esses entre cidades, entre vilas, entre vilas e cidades, entre aldeias e cidades, com pouco transporte público.

Arrumar nas cidades com os carros é bem complicado, essa é a verdade e por tanto um bocadinho de necessidade. E aí entra de novo a tecnologia que já é móvel e lá vai connosco e lá entrou nas nossas vidas sem decatar-nos que é o melhor jeito de entrar.

Quando começou a ser o Pai Natal importante nas ilusões dos meninhos e nas preocupações dos maiores?, Quando foi que entrou a Coca-Cola nos dias e nas noites?

O que parece que sempre existiu, tem tão pouco tempo. Os sorrisos, o único eterno, o que nos transporta a outros lugares, a memória.

Existe já agora uma aplicação que apareceu há bem pouco para o iPhone, esse invento que está a criar uma nova religião, já sabemos. O contrário de uma religião não é o vazio, mas outra. Steve Jobs, esse novo freire tecnológico, com homilias em Standford, muito boas por certo. Experiências místicas tecnológicas seja o que for que conseguem.

E dizia o nome dessa aplicação chamada Streetline que oferece a quem a usar, a possibilidade de encontrar onde poder arrumar o carro em tempo real, poder saber como chegar aos lugares destino, nessa jinkana das cidades, com esses pitidos amigáveis que a gente se dedica mutuamente para animar a continuar a dançar essa dança de tubos de fumo deitados ao ar.

Esta aplicação que funciona no Estado de Califórnia usa o software do google maps para poder procurar qual é o melhor estacionamento para qualquer carro, moto ou mesmo bicicleta que usar este software (se é que o utente da bicicleta o usa em tempo real, com uma mão conduz e com a outra observa qual o melhor lugar).

Com isto, segundo os seus criadores o que se pretende nem só é melhorar a tranquilidade da gente, mas também facilitar uma menor demora em conseguir o obscuro objeto do desejo, esse oco onde arrumar, e por tanto finalmente diminuir o gasto energético e mesmo fazer qualquer cousa polo meio ambiente.

E tudo isso graças à tecnologia. Da necessidade à tecnologia. A que se lhe aplica isto no nosso lugar do mundo?


(*) Artigo publicado na coluna Medo aos aviões, do jornal Galicia Hoxe.