Por José Ramom Pichel Campos
Tenho às vezes a sensação, quer dizer, nem baseado na razão nem baseado na lógica, o sexto sentido, de que muitas cousas interessantes ocorrem na Galiza mas que as gerações mais novas perdem as experiências vividas polas mais velhas, saber o que funcionou e o que não funcionou, e que entre as próprias gerações há poucos lugares de encontro para partilhar diferentes perspetivas de um mesmo assunto. Retas paralelas cortam-se no infinito.
Por isso, que necessários são os alinhamentos! Quando uma sociedade está alinhada parece que tudo funciona desde a própria autonomia de cada um dos seus elementos. E por suposto nem tem porque ser eterno esse alinhamento, a vida é mudança continua e por tanto os alinhamentos são livres federações de interesses.
Os alinhamentos são uma etapa básica na construção de tradutores estatísticos. Para fazer um tradutor inglês-galegoILG deveremos ter miles e miles de orações relacionadas (alinhadas). Assim se temos o texto com a seguinte oração em inglês: “For Fátima Moya, a 23-year-old hotel receptionist in Cordoba, it couldn”t be more obvious: the 1,200-year-old building outside her window is a mosque”, a sua correspondência em galego ILG-RAG seria a seguinte frase “Para Fátima Moya, unha recepcionista de hotel de 23 anos en Córdoba, non podería ser máis obvio: o predio de 1.200 anos de idade fóra da súa xanela é unha mesquita”.
Com muitas orações alinhadas deste tipo entre a língua original e a língua destino, é possível ter uma ferramenta imprescindível neste momento para qualquer língua. Se não estiverem alinhados não vai ser possível poder treinar uma ferramenta de tradução estatística. Sem alinhamento não há tecnologia, ou dito doutro jeito sem alinhamento não podemos avançar.
Continuaremos a só ter tradutores baseados em dicionários e não poderemos ter melhores ferramentas futuras de tecnologia linguística para o maior número possível de idiomas do mundo.
Isso mesmo é o que me dá a impressão na Galiza: temos iniciativas paralelas que nem sabem uma da outra e sem alinhar.
Por enquanto nos masters, cursos de internacionalização, missões comerciais, missões tecnológicas, prioridades para novos mercados continuam a bombardear-nos que a China deve ser o destino preferido; no mundo da música folque Carlos Nunes vende o seu disco Alborada do Brasil exatamente ali.
Parece que as empresas repetem sem questionar consignas da metrópole.
Parece que a música galega vai por diante. Haverá que alinhar os dous mundos.
