Algoritmos

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Por José Ramom Pichel Campos

Procedimento lógico para solucionar problema resolúvel. O software com o que trabalha está cheio de algoritmos. Às vezes os algoritmos também podem servir para a vida diária. O cemitério está cheio de planificadores diz meu pai. Provemos.

Algoritmo para não deixar de ter a síndrome de Estocolmo: quando um exército de papeis burocracia, perfeitamente apetrechados, andam a ritmo metrópole, da mão de cadáveres que não cheiram, por escadas mecânicas, percorrendo a cidade com paragem compra, e os nenos mostram orgulhosos os seus globos marca, e os palhaços são agora clowns e não políticos, nas festas de aniversário dos nenos operários, que estouram os globos marca, marquinhos não te compro mais!… não deixes de amostrar a tua infância, o jogo, não deixes de amostrar o jogo, a infância, porque um bom dia, uma qualquer madrugada, quando te deites com ela a um lado, a surpresa baterá no teu objecto escondido, com uma forte violência, e levará o que acabas de amostrar timidamente, a um lugar desconhecido polos outros, e aparecerá em fotos com jornal do dia, rodeado de sequestradores passamontanhas. Explica-lhes bem alto, que até os surdos escutem as tuas mãos, que por favor ninguém pague o resgate.

Algoritmo para resolver as diferenças: apanhe gravadora de sons para lhe assinalar um novo caminho, afinal o turismo acústico ainda não foi proibido, decidir-se por sons agudos ou graves, é a decisão verdadeira, apanhe também microfone, e aposte aposte com os tímpanos, sei lá quem será o ganhador, quiçá o acaso, apanhe também câmara fotográfica, qualquer uma para turistas, e verá como câmara e sons, decidem por fim a sua nova trajectória, irá procurar o que nem imagina, e achara, acredite, sons diferentes, fotografe a face daquele que não percebe, grave o sorriso daquele que sim recebe, dispare em branco a preto a todo o que se mova, os matizes no resultado sairão grises, o gris pôde ser a sua diferença com aquele outro ou não, cale, escute, grave, volte a disparar, tente resolver a diferença, mas nesse silencio que se forme após o lóstrego, entre você e ele, entre ele e ela, não crie um novo dígrafo fosso, porque entre o seu gris, e o preto dele, encontrara no entanto o respeito por aquele peito, encontrara no entanto o respeito por aquele não, por aquele categórico jeito, por aquele é assim, por aquele está confundido caro, e respeite e respeite, mas não tolere, essa olhada a branco e preto que o seu parceiro, lhe oferece, para resolver o mundo.


(*) Artigo publicado na coluna Medo aos aviões, do jornal Galicia Hoxe.