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AGLP já caminha… com parabéns e críticas

António Carvalho – As previsões meteorológicas prediziam chuva e mau tempo, mas a jornada em que a Academia Galega da Língua Portuguesa (AGLP) abria publicamente as suas actividades decorreu com total normalidade e uma ampla participaçom, embora o dia de trabalho.

Oferta floral e conferência marcante

Um bocadinho mais tarde do agendado, pelas 10h00, o Panteão de Galegos Ilustres, em Sam Domingos de Bonaval (Compostela), acolhia um singelo mas intenso ato em que o presidente da AGLP lia um emotivo discurso perante a tumba de Rosália de Castro. Nessa altura, mais de 50 pessoas arroupavam os primeiros andares da nova Academia.

O prato principal do dia realizava-se a seguir na Sala de Conferências do Centro Galego de Arte Contemporânea (CGAC). Lá, uma mesa em que se encontravam brasileiros, galegos, portugueses e moçambicanos, falou para um auditório que, aos poucos minutos de começar, estava composto por mais de cem pessoas.

Do PM (português moçambicano) do Craveirinha, à leitura dos académicos e académicas fundadoras, bem como da apresentação pública do Boletim da AGLP, realizado no final por José-Martinho Montero Santalha; as pessoas que lá estávamos tivemos oportunidade de ouvir um elenco de sotaques galego-luso-africano-brasileiros, com algumas opiniões realmente marcantes a respeito da Galiza, o galego e a Lusofonia.

As palavras de Malaca Casteleiro bateram o ponto na reintegraçom do galego; os pensamentos do Agostinho da Silva foram resgatados do esquecimento pelo professor Artur Anselmo; Carlos Reis deixou-nos um discurso cristalino e convincente, salientando a lembrança do professor Ernesto Guerra da Cal; a defesa do Acordo Ortográfico para o português foi proferida pelo professor Evanildo Bechara; e o representante da Junta, Pérez-Lema, surpreendeu com um discurso nada ambíguo em que afirmou que o Governo da Galiza tem muito claro as vantagens da Lusofonia para a Galiza e a sua aposta -cultural e economicamente, vai nesse caminho, embora a questão normativa não fosse nomeada explicitamente.

Abertura das actividades da AGLP

José-Martinho Montero Santalha discursou duplamente, para agradecder os apoios, manifestar as intenções da nova Academia, fazer um percurso histórico que legitima claramente a criação da nova instituição e, finalmente, dar leitura aos nomes dos académicos e académicas fundadoras, além de apresentar pubicamente o primeiro número do Boletim da AGLP.

Após isso, o auditório delitou com a sublime atuação de Isabel Rei à guitarra, interprentando a composição de Rudesindo Soutelo, Deu-la-deu, criada para a ocasião. Depois foi tempo de confraternização, no jantar à galega a que assistiram 70 pessoas.

É de destacar, entre o pessoal que assistiu a esta sessão matinal, a presença de Carlos Aymerich, porta-voz parlamentar do BNG; bem como Camilo Nogueira, membro de honra da AGAL, ex-eurodeputado que utilizou o galego – ou português da Galiza, nas suas intervenções na Eurocâmara; Samuel Rego, responsável pelo Centro do Instituto Camões em Vigo; Carlos Quiroga e Maria Isabel Morám Cabanas, da USC; e ainda representantes das universidades brasileiras de São Paulo e McKenzie.

O presidente da AGAL, Alexandre Banhos; a porta-voz do MDL, Teresa Carro; o secretário do Facho, José Alberte Corral, representavam ainda alguma das associações e colectivos que marcaram presença nesta Sessão Inaugural. Igualmente, estavam representadas a Associação de Amizade Galiza-Portugal e a própria Associação Pró-Academia Galega da Língua Portuguesa.

Sessão de tarde complementar

A tarde foi tempo para uma visita pela Universidade de Santiago de Compostela, com o vice-reitor Elias Torres como anfitrião. No Salão da Reitoria da USC realizou-se uma recitação de poesia, com a participação de Celso Álvarez Cáccamo, Mário Herrero, Pedro Casteleiro, Concha Rousia, José Manuel Barbosa, Artur Alonso Novelhe e José Alberte Corral Iglésias.

O magnífico concerto do Orfeão Terra a Nossa e a ceia-homenagem aos académicos Evanildo Bechara, Artur Anselmo e Malaca Casteleiro (que se prolongou até às 02h00 da madrugada), encerraram uma jornada histórica, que teve uma importante repercussão na comunicação social (digital e em papel), conforme pudemos verificar… Parabéns e críticas não faltaram… Ou seja, a AGLP gera já debate em todos os âmbitos.

Da Academia Galega da Língua Portuguesa, Ângelo Cristóvão, o seu secretário, informou ao PGL que logo será disponibilizado um DVD em que serão distribuídas as gravações na íntegra das diversas atividades. Mas, entretanto esse DVD não vier a ser lançado, do PGL disponibilizamos para já uma pequeño foto-reportagem, bem como o áudio na íntegra da sessão matinal e os textos das três intervenções do presidente da AGLP José-Martinho Montero Santalha.

 

Foto-reportagem da Sessão Inaugural da AGLP e áudio

 

Áudio:
  1. Discurso de José-Martinho Montero Santalha na Oferenda Floral no Panteão de Galegos Ilustres [02 min 19 seg | Descarregar PDF]
  2. Apresentação a cargo de Ângelo Cristóvão [6 min 10 seg]
  3. Intervenção de João Craveirinha [6 min 10 seg]
  4. Intervenção de Malaca Casteleiro [7 min 15 seg]
  5. Intervenção de Artur Anselmo [12 min 10 seg]
  6. Intervenção de Carlos Reis [15 min 45 seg]
  7. Intervenção de Evanildo Bechara [15 min 15 seg]
  8. Intervenção Xosé Antón Pérez Lema [10 min 38 seg]
  9. Saúdo de José Martinho Montero Santalha [09 min 40 seg | Descarregar PDF]
  10. Discurso Inaugural da AGLP a cargo de José-Martinho Montero Santalha [22 min 15 seg | Descarregar PDF]

 

Descarregar MP3 [50 MB | 1 h 42 min]

 

Relação de Académicas/os fundadoras/es da AGLP (por ordem alfabética)

(são tidos em conta, à par dos critérios Académicos e Literários, os Cívicos)

 

  • Isaac Alonso Estraviz (vice-presidente)
  • Artur Alonso Novelhe
  • José Manuel Barbosa Álvarez
  • Ângelo Brea Hernández
  • Ângelo Cristóvão Angueira (secretário)
  • Carlos Durão Rodrigues (Londres)
  • João Evans Pim
  • António Gil Hernández
  • Luís Gonçales Blasco
  • Álvaro Iriarte Sanromán (Braga)
  • Vítor Manuel Lourenço Peres
  • Higino Martins Esteves (Buenos Aires)
  • José Martinho Montero Santalha (presidente)
  • Mário Alonso Nozeda Ruitinha
  • Francisco Paradelo Rodrigues
  • José Paz Rodrigues
  • Isabel Rei Sanmartim (tesoureira)
  • Ramom Reimunde Norenha
  • Valentim Rodrigues Fagim
  • José Ramão Rodrigues Fernandes
  • Concha Rodrigues Peres (vice-secretária)
  • Rudesindo Soutelo
  • Joám Trillo Peres (arquivista-bibliotecário)
  • Fernando Vázquez Corredoira
  • Xavier Vasques Freire
  • Ernesto Vázquez Souza
  • Crisanto Veiguela Martins
  • Álvaro Jaime Vidal Bouzón
  • Xavier Vilhar Trilho

 

+ Ficheiros anexos:

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