Acordo Ortográfico entra em vigor no Brasil

Diferente de 2013, o Acordo começa a vigorar sem críticas, polêmicas ou discussões



Desde 1 de janeiro de 2016, as regras do Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa (AOLP) finalmente são obrigatórias no Brasil. Apesar do acordo ter sido assinado em 1990 com outros Estados-Membros da Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP) para padronizar as regras ortográficas, foi ratificado pelo Brasil em 2008 e implementado sem obrigatoriedade em 2009.

Em 2013, depois de 23 anos da assinatura e de 5 anos da ratificação, professores, escritores e filólogos contrários ao Acordo criaram polêmicas e discussões, o que levou o Governo brasileiro a adiar a oficialização do uso das novas regras ortográficas para 2016.

Agora, em 2016, os mesmos críticos parecem ter esquecido as polêmicas e a data de entrada em vigor do Acordo Ortográfico e, até o momento, as novas regras valem para todo o Brasil, sem críticas, debates acalorados entre acadêmicos e com total descaso pela sociedade em geral.

O Brasil é o terceiro dos oito países que assinaram o tratado a tornar obrigatórias as mudanças, que já estão em vigor em Portugal e Cabo Verde. Angola, Moçambique, Guiné-Bissau, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste ainda não aplicam oficialmente as novas regras ortográficas.

Com a padronização da língua, a CPLP pretende facilitar o intercâmbio cultural e científico entre os países e ampliar a divulgação do idioma e da literatura em língua portuguesa, já que os livros passam a ser publicados sob as novas regras, sem diferenças de vocabulários entre os países. De acordo com o Ministério da Educação, o acordo alterou 0,8% dos vocábulos da língua portuguesa no Brasil e 1,3% em Portugal.

As principais mudanças são no uso do trema e acentos

acordo ortografico brasilEntre as principais mudanças, está a ampliação do alfabeto oficial para 26 letras, com o acréscimo do k, w e y. As letras já são usadas em várias palavras do idioma, como nomes indígenas e abreviações de medidas, mas estavam fora do vocábulo oficial.

O trema –dois pontos sobre a vogal u– foi eliminado, e pode ser usado apenas em nomes próprios. No entanto, a mudança vale apenas para a escrita, e palavras como linguiça, cinquenta e tranquilo continuam com a mesma pronúncia.

Os acentos diferenciais também deixaram de existir, de acordo com as novas regras, eliminando a diferença gráfica entre pára (do verbo parar) e para (preposição), por exemplo. Há exceções como as palavras pôr (verbo) e por (preposição) e pode (presente do indicativo do verbo poder) e pôde (pretérito do indicativo do verbo poder), que tiveram os acentos diferenciais mantidos.

O acento circunflexo foi retirado de palavras terminadas em “êem”, como nas formas verbais leem, creem, veem e em substantivos como enjoo e voo.

Já o acento agudo foi eliminado nos ditongos abertos “ei” e “oi” (antes “éi” e “ói”), dando nova grafia a palavras como colmeia e jiboia.

O hífen deixou de ser usado em dois casos: quando a segunda parte da palavra começar com s ou r (contra-regra passou a ser contrarregra), com exceção de quando o prefixo terminar em r (super-resistente), e quando a primeira parte da palavra termina com vogal e a segunda parte começa com vogal (auto-estrada passou a ser autoestrada).

A grafia correta das palavras conforme as regras do acordo podem ser consultadas no Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa (VOLP), disponível no sítio web da Academia Brasileira de Letras (ABL) e por meio de aplicativo para smartphones e tablets, que pode ser baixado em dispositivos Android, pelo Google Play, e em dispositivos da Apple, pela App Store.

 

+ Mais informações:

 

José Carlos da Silva

Desde 2008, José Carlos da Silva é correspondente do PGL no Brasil. Residente em Campinas (São Paulo), é produtor cultural e periodista. Como produtor cultural trabalha pela difusão da cultura caipira, que tem na viola de 10 cordas, sua maior expressão.

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  • http://www.grafotema.com/agullo/ Ignacio Agulló

    Nove dos doze parágrafos do artigo “Acordo
    Ortográfico entra em vigor no Brasil” assinado por José Carlos da Silva e
    publicado pelo Portal Galego da Língua são exatamente iguais a nove
    parágrafos do artigo “Novo acordo ortográfico é obrigatório a partir de
    hoje no Brasil” assinado por Luana Lourenço e publicado pela Agência
    Brasil: agenciabrasil.ebc.com.br/geral/noticia/2016-01/novo-acordo-ortograficoe

    Quem é o plagiário? Olhando para a data, que é 1 de janeiro no artigo
    de Luana Lourenço e 4 de janeiro no artigo de José Carlos da Silva,
    parece que é da Silva.

    • agal_gz

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