A riqueza de termos o standard RAG-ILG

Partilhar

Por Pablo Gamalho Otero

Sei que é um título transgessor, mas eu gosto de encontrar os aspectos positivos de todo o que me rodeia. Isto não quer dizer que eu seja um optimista antropológico. Bem ao contrário, sou um pessimista com vontade de encontrar argumentos que contradigam o que realmente penso.

Bem, vou tentar explicar o sentido aparentemente transgressor do título deste artigo. Uma das principais características das línguas com muitos anos de história é o fato de possuírem, além dum padrão de escrita culto, convenções mais ou menos standarizadas para representar a língua oral. Em inglês, por exemplo, é frequente encontrar sequências de caracteres tais como “ain’t gonna” (are not going to) em textos que reflectem directamente a fala espontânea ou variantes informais da língua: banda desenhada, lengendagem de filmes, posts e comentários de blogs, etc. No âmbito espanhol, também conseguimos interpretar sem dificuldade expressões de Summers ou Forges, já convencionais, como “to er mundo e güeno” ou “fueron pal güerto”. Nas línguas ‘sérias’ existe, portanto, uma clara separação entre a escrita padronizada e formal e os standards ou consensos gráficos que representam diferentes tipos de registos informais da língua oral. Uma vez que uma língua possui um padrão estável e forte, a criação de normas gráficas próximas da representação fonética do discurso oral é um sinal de atrevimento. Atrevimento produto da confiança dos falantes teren uma referência sólida na que apoiar-se.

Nos meus emails aos meus amigos, sinto por vezes um certo desconforto quando tento reproduzir piadas dos Tonechos ou anedotas cheias de palavrões e jogos de palavras. O uso da escrita padrão não me permite reflectir todas as nuanças da oralidade. Utilizo sequências de caracteres próximas da fonética mas sem esquecer certas convenções gráficas que fagam automática, e não demasiado forçada, a descodificação da mensagem. Mesmo assim, sinto a necessidade de um standard galego consensuado por todos para representarmos informalmente certos traços da nossa oralidade.

Uma versão melhorada do RAG-ILG (sem ‘ñ’ nem ‘ll’, mas com gheada e contrações como ‘pra’, ‘pro’… ) poderia servir de base para a construção desse standard. É uma convenção gráfica que conhecemos todos os galegos. Já que o aprendémos, não o botemos o lixo. Dêmos-lhe uso.

Paxariño Pinto,
cásate coa pegha.
– Esa non a quero,
porque é branca e neghra.