Por Ernesto Vasques Souza
Para o Pablo Marin, com saudades e esperpento.
A cerveja não estava bem fria e eu estava aborrecido na soidade estival e barulhenta que têm as cidades do interior da Espanha.
Um safffs baixinho ou um psiff apagado fez a lâmpada e deixou o salão na melancólica penumbra de fim da tarde.
Veio-me à cabeça aquele documentário sobre a obsolescência programada e nesse momento na TV falavam tão seriamente agitados em que o modelo da Transição Espanhola estava esgotado.
A pizza tinha um algo de sabor a ketchup suponho que isso foi o determinante para concluir no momento mesmo do bocado que a Transição era apenas uma lampadinha reles que no meio de tempos de longo e tão escuros parecia estrela.
Obsolescência programada, o mundo da grande indústria e os seus sistemas de gestão e organização tomados como modelo. Que absurdo de obsolescência, que fenômenos de gestores e que estrago de programação.
E ainda se surpreendem como se os cântaros de barro fossem mais duros que a pedra das fontes, os Reis bondosos e sábios e as oligarquias defensoras e garantes da democracia e a igualdade.
Enfim, durou o que durou e há que ir por outra. A ver que sem futuro nos vendem agora.
