Francesc Cambó
Car la pàtria no ha mai estat, mai no serà, quelcom d’estàtic, de resolt i de reglamentat per sempre, ni menys una ídola material definible en un còdig. Les baionetes que la guardessin, l’empresonarien. L’esperit d’emulació acciona i reacciona eternament en la substància ondejant i plàstica de les pàtries. No hi ha hagut cap patriota fundamental en la història del món que no hagi passat per un revolucionari, per un sacrileg o per un foll.
La Joventut Nacionalista de Barcelona, [Apresentação] a Escolma de poesias de Rosalia de Castro, ordenadas e prologadas por Aurelio Ribalta, Barcelona 1917, p.7.
Ernesto Vasques Souza – Setembro chega como uma sineta chamando: o milho alto para se apanhar, as tardes que declinam cara o inverno no horizonte e anunciam o vinho novo, o recendo das maçãs. Colheita, escrita, vinho, e frutos com saudações cúmplices dos célticos Santo André e São Martinho, marcando o ritmo ao calendário. É o ciclo da outonia, grato sempre aos ensaístas saudosos, que se fecha em castanheira e que se abre desde há quase cem anos em brinde fraternal e visca a Catalunya! na sua diada.
Há uns anos, publicamos no PGL, naquela seção de Cânones e canões um texto que agora cumpre lembrar para dar conta nesta continuação da homenagem e do dia e para dar cumprida resposta às vozes dos amigos, que me lembram no correio e na conversa de café e cerveja essa obriga de retomar a escrita.
É curiosa a evolução da Catalunha desde os marginalia do alheio ou mesmo contrário durante o Antigo Regime até ao referencial no imaginário político da Galiza soberanista na modernidade. Companheira de oposição ao modelo de Estado centralista-caciquil principiando o XIX, apoio fundamental no construto regionalista da segunda metade desse século e modelo absoluto na construção do Nacionalismo linguístico, político e cultural durante os séculos XX e o que vai de XXI.
Ainda mais, não é exagero o dizer que não poderíamos entender as aspirações regionalistas, o galeguismo moderno, o nacionalismo atual, nem provavelmente o papel capital outorgado à língua e ainda a mesmíssima ressurreição da literatura em língua galega sem o modelo, potência construtiva e reivindicativa desde a segunda década do século XX, da mesma sociedade civil catalã que mais uma vez é hoje vanguarda.
Lembremos ainda que para entender a fase nascente das Irmandades da Fala de 1915 a 1923 é muito importante considerar três grandes influências: o referencial espertar celto-atlântico do movimento independentista irlandês e a sua Páscoa de sangue, teatro e poesia; o impacto da filosofia e modelo civil da República Portuguesa de 1910 e a imitação e irmandade ibérica com o movimento de recuperação cultural, político e linguístico protagonizado pela sociedade civil catalã entre 1900 e 1917.
Especialmente devemos considerar o ciclo muito ativo e reivindicativo protagonizado por Francesc Cambó1 e as atuações reivindicativas da Lliga de 1915 a 1917. Entre as que destacam o debate no Parlamento espanhol de fim de 1915 para reivindicar o ensino público e uso do catalão na administração pública, e o fundamental desafio soberanista da Assembleia de Parlamentares2 de 1917 que anunciam a plena crise da restauração borbónico-canovista encetada em 1885 e que ainda se prolongará zúmbica até 1923.
Se a Semana galega de Barcelona fora um sucesso e a sua midiatização o terceiro aviso (atos de fevereiro de 1917, homenagens funerárias a Chané, Curros e Pondal, de março e abril de 1917) aos partidos do sistema do roteiro e volume que podiam tomar as Irmandades; o segundo capítulo destes contactos determinará a ofensiva total do sistema.
O segundo contacto vai ter lugar no Natal de 1917 quando os representantes catalanistas devolvam visita aos galeguistas. Nestes atos de propaganda e organização colaboraram ativamente não apenas os líderes do movimento quanto os na altura mais novos da Irmandade3.
Em 8 de dezembro voltava Porteiro a Compostela, no dia 9 comunica a imprensa que os atos e recepção dos catalanistas aos nacionalistas galegos foram os maiores celebrados pelo povo barcelonês em 40 anos e anuncia:
Como medidas que en seguida se traducirán en la práctica figura la publicación en Coruña de un rotativo, órgano del regionalismo, otro en Santiago, y la organización de las Asambleas de Coruña, Vigo y Compostela postergadas para los días después del 14 del actual.4
Dá conta o líder compostelano de um telegrama chegado no dia 9 a anunciar a próxima vista de Cambó, o homem do momento, à Galiza:
“Reunidos banquete 200 regionalistas festejando triunfo electoral regidor Laporta dedicáronse fervorosos recuerdos a Galicia inscribiéndose todos suscrición popular suntuosa corona que Cambó colocará mausoleo Rosalía de Castro personificación resurgimiento gallego”.5
No dia 11, a Gaceta de Galicia publica um amplo resumo dos textos dos discursos políticos de Cambó e Porteiro em Barcelona para “que el público conozca exactamente el objeto y alcance de la intervención de los catalanes en esta propaganda”.
No dia 13, quinta-feira, Porteiro toma posse como Conselheiro 1º da nova diretiva da Irmandade compostelana com um discurso em que resume também as atividades em Barcelona e as novas expectativas.
Em 14, a Gaceta de Galicia, dentro da propaganda informativa, reproduz a toda a página o histórico manifesto da “Liga gallega de Santiago”, que publicara Salvador Cabeza de León, em junho de 1899, e um amplo extrato do discurso de Lois Porteiro, pronunciado no dia 12 no Teatro Rosalia da Crunha. Esta palestra é a apresentação oficial das Irmandades como nova força política.
Os conteúdos do discurso de Porteiro evidenciam a maturidade ideológica e política que tinha o nacionalismo galego em finas de 1917, assim como a sua capacidade de convocatória na cidade herculina. Com o teatro cheio, começara o professor compostelano reconhecendo a importância que tem a cidade da Crunha no movimento regional. E imediatamente passa a explicar o salto dado pela organização:
Nos hallamos en un momento decisivo y por eso tenemos que suplicar a la prensa, libre de prejuicios, que nos preste atención, porque este movimiento tiene mayor importancia de lo que algunos suponen.
Comenzamos por constituir colonias espirituales que sólo pretendían demostrar, como dijo ya el Sr. Peña Novo, que no nos avergonzamos del gallego.
Pero al estudiar de cerca el lenguaje y hacernos cargo de los ultrajes que se le hacían, vimos como una raza que para llorar y para cantar usaba un idioma propio se veía obligada a emplear un mal castellano para rezar.
Comprendimos que habíamos de tratar un problema político, porque tropezamos en nuestro camino con el caciquismo.6
Explicado isto, define Porteiro os objetivos que pretende o movimento das Irmandades, indicando a necessidade de uma mudança radical na organização política de Galiza, sujeita à nula ação dos Partidos do sistema: “No es el nuestro un problema de sustitución de personas, sino de cambio de organización.”
Destaca também, no seu parlamento, a campanha que se faz contra as Irmandades acusadas de separatistas e destaca com palavras que repetirá uma e outra vez anos mais tarde Castelao que:
Separatista es aquel que quiere vivir fuera de las leyes de un Estado, y yo no conozco en España sino caciques y gobernantes que vivieron fuera de las leyes. Ellos son pues, los separatistas.7
Apoiando-se em dados económicos de Lois Peña Novo, enuncia a necessidade de racionalizar a política agrícola galega, demonstrando como as leis e políticas gerais de Espanha não aproveitam na Galiza. Explica pormenorizadamente os diversos aspectos do problema político, económico e social galego tal como o fizera em Barcelona. Explica o motivo dessa viagem e volta a protestar contra os projetos de Mancomunidade para a Galiza, tão diferentes da proposta catalã que comandava Prat de La Riba:
No queremos la mancomunidad para Galicia, porque bien sabemos lo que aquí sería.
E adirá que, no programa dos regionalistas galegos, irão incluídas as conclusões da Assembleia de Parlamentares de Barcelona, que os nacionalistas galegos podem ter relações com partidos de extrema-esquerda ou direita, mas não com integrantes da velha política, ainda que matize a seguir:
De las izquierdas nada tenemos que decir, toda vez que aceptan íntegro el programa de los parlamentarios.
En cuanto a las derechas admiten lo que se refiere a autonomía regional, y esto es bastante para que contemos con su colaboración.8
Indica que o fim do caciquismo na Crunha está próximo e que a Galiza deveria ter uma só e não quatro deputações. Uma que funcionasse com um sistema duplo de representantes: da individualidade e das coletividades, entidades e associações. Combate Porteiro o aparecimento do “regionalismo de circunstâncias”, o que se intitula – em referência a Manuel Casás- “ortodoxo, sano y bien entendido”:
Ya sabeis que ahora han dado en aparecer como regionalistas gentes de diversos linajes, cuya primera misión es la de anularnos a nosotros.
Nosotros no queremos anular a nadie, porque, excepto el Sr. Sanz, los demás somos muchachos jóvenes que dejamos los primeros puestos a quienes deban ocuparlos.
Pero no los dejaremos a los representantes de la vieja política.
Ahora todos son regionalistas, a semejanza de aquellos políticos del 73, que al establecerse la república, se declararon republicanos.
Después de haber actuado en el centralismo, vienen a decirnos que son regionalistas: “Con tal de que nos dejéis ser diputados, seremos cualquier cosa”.9
Finalmente, insiste na importância política do momento. Ante a convocatória de eleições para as novas Cortes, no momento em que se achega o fim de uma guerra que abalará a organização política e económica da Europa, o regionalismo não pode ser indiferente. Insiste em que da representação da Galiza no Parlamento dependem numerosos desenvolvimentos económicos, exportações e o desenvolvimento industrial, precisos para o novo sistema económico que virá da saída da Grande Guerra. Nesta nova política à Crunha, capital da Galiza, cabe a maior responsabilidade.
Ainda vivos os ecos do comício de Porteiro, chegam à Crunha, sábado 15, no trem correio, Francesc Cambó e os propagandistas catalães: Puig i Cadafalch, Rafols, Rahola e Morera i Galícia, para a anunciada digressão catalã.
A recebê-los em Lugo foram os senhores Rodrigo Sanz, Comas, Rof Codina e numerosa comitiva. Em Monforte foram recebidos com fortes aplausos. Lá, incorporou-se na comitiva uma representação da Irmandade da Fala, composta por Julio Fariña e Banet Fontenla. Em Betanços foram saudados por numerosa concorrência e pela banda municipal que executou o “hino à Galiza”, que foi cantado em coro pelos assistentes.
Na referida estação aguardavam os viageiros Antón Vilar Ponte, António Valcarcel, Francisco Tettamancy e Lois Peña Novo. Às seis chegou o comboio a esta capital. Depois do recebimento popular, os vivas e ovações, a comitiva foi recebida pelo secretário do concelho, o líder republicano e agrarista Joaquín Martín Martínez. Os viageiros saíram, da estação nos autos do Concelho, indo num deles Cambó, Casares Paz, Enrique Fraga e o secretário municipal e no outro os regionalistas catalães acompanhados de Antón Valcárcel López10.
O programa de atos da Semana catalanista foi intenso. No dia 16, Domingo haveria, às 11 da manhã, um concorridíssimo ato de afirmação regionalista11 em que participariam representantes de diversas entidades locais, os deputados catalanistas, Vilar Ponte e a diretiva da Irmandade da Fala.
Tomaram a palavra: Villar Ponte, Rahola, Peña Novo, Cambó e Rodrigo Sanz. Ao momento de começar o ato inunda-se o salão com panfletos com a palavra ¡AMNISTÍA! que espalhavam os membros da Federação anarquista.
O esquecimento por parte de Cambó e os membros da Lliga da promessa ratificada pela assembleia de parlamentares da promulgação da Amnistia para os presos de Agosto do dia 17, vai ser um dos pontos de oposição entre representantes do operariado, republicanos e sectores de esquerda do catalanismo contra o sector conservador da Lliga, que apoia desde novembro o governo. O involucionismo da Lliga e o esquecimento desta promessa será utilizado pelos partidos republicanos e operários para atacar o regionalismo galego, “aliado do traidor Cambó”, nas eleições de 1918.
À uma e meia da tarde, nos Paços dos Concelho, os catalães fora obsequiados com um banquete, formado por pratos típicos galegos; brinde, discursos, e vivas que duraram até que o público invadiu o salão de atos. Terminou o jantar cantando-se o hino galego, que foi repetido ante o local da Irmandade da Fala, onde se içou, entre aplausos, a bandeira galega. Na tarde do mesmo dia 16 o Sr. Cambó dissertou largamente sobre questões económicas12. Depois Morera i Galícia, poeta e deputado a Cortes por Barcelona pronunciou a sua esperada palestra sobre a sociedade e a cultura na Catalunha atual.
No dia 17, segunda-feira, a comitiva viajaria a Compostela. Às 10 da noite, grande comício regionalista no repleto teatro e no exterior. A presidência formada por Cabeza de León, Cambó, Rahola, Puig i Cadafalch, Sanz, Morera, Novo Campelo, Porteiro, Vázquez Enríquez e Comas Dargemir.
Ao tomar a palavra, inundar-se-ia de novo o teatro, de folhetos com a palavra AMNISTÍA. Dão-se vivas à Amnistia. Porteiro, em galego, diz que as Irmandades subscrevem e apoiam esses vivas porque “significan a pacificación espiritual de España”, mas que não querem que se faça deles bandeira de partido.
O discurso de Porteiro, salvo o incidente, vai versar sobre o uso da língua galega. Repete as advertências a respeito da situação política e as vindouras Cortes dos discursos anteriores. Indica que o programa dos regionalistas está já feito e que se nota nos representantes dos partidos do “turno” a influência da retórica regionalista, mais não os conteúdos. Desculpa-se pela precipitação com que foi convocado o meeting e por isso agradece a presença e se congratula da adesão de numerosas sociedades agrárias. Ao discurso seguiriam os de Rahola e Cambó.13
No dia 18, tem lugar o ato de homenagem no monumento a Rosalia de Castro com entrega duma coroa de bronze ao alcalde de Compostela, para a estátua, custeada pelos regionalistas catalães. Visitas aos sepulcros de Brañas e Rosalia. Jantar de homenagem no Círculo Mercantil obséquio do proprietário de La Perla. Foi presidido o jantar por Puig i Cadafalch, Morera, Cabeza de León, Miguel Gil Casares, Novo Campelo, Emilio Barros, Vázquez Enríquez, Rafols, Sanz, Varela Santos e Puente Castro; os comensais eram perto de 100. Na rua de Altamira a Banda municipal amenizou o ato e no salão uma orquestra. Novo Campelo, novo e ambicioso catedrático da Faculdade de Medicina (depois inimigo acérrimo do nacionalismo) foi o encarregado do brinde. Depois falaram Vázquez Enríquez, Xesús Culebras, que fez um resumo da história da Irmandade com gabança a Vilar Ponte. Seguidamente tomam a palavra o representante da colônia catalã em Compostela e Cabeza de León com um bravo discurso; e, por fim, Morera.
Às sete da tarde, palestra de Puig i Cadafalch, presidente da Mancomunidade catalã, no paraninfo da Universidade, com invitação. Foi apresentado pelo Reitor Cleto Troncoso. O tema da conferência foi: “Política cultural”.14
Em Vila-Garcia de Arouça, dia 18 pela tarde, visitaria Cambó os representantes da Junta de Defensa. Em Vigo, acompanhado por Valcárcel e Vilar Ponte estará no 19 uma maratona de entrevistas de Cambó com diversos elementos industriais da cidade e bisbarra. Continuaria a digressão sem demora: em Ourense, no dia 20, grande comício regional, com a incorporação de Vicente Risco como orador à causa galeguista15 e mais contactos. Encontros na Estrada e Monforte, sexta-feira 21, e encontro de Cambó com a Irmandade e regionalistas da comarca.
Em 22, Cambó e a comitiva catalanista regressam a Madrid, entre os frutos da propaganda ficam vários acordos de apoio e um monte de contactos comerciais. Entre todos eles destacará a promessa de desembolso de Cambó do capital preciso para comprar um jornal na Galiza16.
A importância de um sucesso nacionalista na Galiza para a própria organização do Estado irá ser o elemento definidor que explique as atuações, em prol e em contra, do regionalismo Irmandinho; a sua propaganda e lutas para adquirir um órgão de expressão; o bloqueio da imprensa galega; os ataques caciquis; o papel dos delegados da Lliga na compra de El Noroeste e campanha eleitoral. A repercussão dos atos, apesar de que o bloqueio da imprensa é contínuo desde fim de 191717.
Como veremos, o movimento irmandinho vai definir-se ao longo de 1918, tanto pela impossibilidade de romper a caciquil dinâmica eleitoral em Galiza, como pela promessa de manter as conclusões da Assembleia de parlamentares — conclusões de que o próprio Cambó se irá gradualmente afastando.
A morte inesperada de Porteiro, a luta interna pelo pela liderança e orientação do galeguismo, o desentendimento progressivo entre o núcleo duro da Irmandade da Crunha e os elementos mais conservadores do regionalismo orientados a Cambó e que controlam El Noroeste vão ir desgastando o conjunto inicial do movimento das irmandades, que terminará entre 1918 e 1919, por romper definitivamente com os elementos mais possibilistas e melhor situados dentro da política do sistema e por abrir umas perigosas fendas entre setores e grupos que já acompanharão o movimento até à II República e depois, provocando diversas polêmicas, crises e cisões.
Mas, até depois do resultado eleitoral das eleições de junho de 1918, a Lliga e a Irmandade vivem um agitado idílio que preocupa a nível estatal. Ante tanta expectativa, a virada do sector dirigente da Lliga cara ao poder e o abandono de destacados elementos políticos dada a falta de resultados eleitorais imediatos, fará murchar o nascente nacionalismo galego como opção política de conjunto para Galiza. Fora da cidade da Crunha, onde se consolida a Irmandade e se vai definindo uma orientação política específica arredor de uns quadros em formação. Esta peneirada vai definir o crescimento das Irmandades e fará consolidar, na Galiza e Catalunha sectores nacionalistas mais virados para esquerda.
Ilustrações:
http://www.historiacocina.com/gourmets/articulos/galicia/regionalistas.htm
Notas:
1 Francesc Cambó i Batlle (1876-1947), financeiro, mecenas e político catalão. Formado em Direito e influído por Alfredo Branhas interessou-se pelas doutrinas regionalistas. Ao fundar-se a Lliga Regionalista (1901), ingressa nesta organização, dedicando-se em cheio à atividade política. Participou na formação da Solidariedat Catalana (1907). Apoiou a Solidariedade Galega e, mais tarde, as Irmandades da Fala. À morte de Prat de la Riba, passa a dirigir a Lliga, que se orientará cara as suas posições. O ministério do Fomento no governo de salvação nacional presidido por António Maura (1918) e o ministério das Finanças (1921), são ao mesmo tempo o triunfo das suas teses e figura na cena política espanhola e o seu fracasso na experiência governamental e a liderança de um catalanismo dentro do espaço político espanhol. A irrupção da Acció Catalana que imediatamente conecta com o eleitorado, provocará o retrocesso da Lliga e a retirada, momentânea, de Cambó. Mecenas de diversas instituições culturais e museus, é de destacar o seu patrocínio à imprensa e a diversos autores da nascente literatura catalana e especialmente o patrocínio da Fundação Bernat Metge que editaria a mais importante coleção de clássicos. Após a queda de Primo de Rivera, retomou à atividade política. Foi deputado em 1933. Derrotado nas eleições de Fevereiro de 1936, abandonou a política ativa. Temeroso duma revolução social que julgava em marcha, mobilizou recursos para apoiar a causa dos militares insurrectos. Após a guerra morou na Suíça, Estados Unidos e Argentina, onde morreu.
2 Nome que recebem as reuniões extra-oficiais de parlamentares, concelheiros e membros da Mancomunitat convocadas como resposta a grave crise social, política, económica e militar que vivia o regime da Restauração. Decorreram em Barcelona em julho e outubro de 1917 à iniciativa da Lliga Regionalista. Reclamaram a convocação de Cortes Constituintes que deveriam deliberar sobre a organização do Estado, sobre a autonomia e sobre a resolução dos problemas militares (África) e económico. Confrontados com o Governo e temerosos dum transbordamento revolucionário, por causa da greve revolucionária de agosto os promotores do movimento acabaram por desconvocar as reuniões e aceitar a colaboração com o Governo central em novembro de 1917.
3 FERNÁNDEZ DEL RIEGO, Francisco, Ánxel Casal e o libro galego, Ediciós do Castro/Documentos 7, Sada-A Coruña, 1983, p.17.
4 “Porteiro en Santiago” em Gaceta de Galicia, 10-12-1917.
5 “Telegrama de Barcelona. El homenaje a Rosalía” em Gaceta de Galicia, 10-12-1917.
6 “Porteiro en La Coruña”, em Gaceta de Galicia, 14-12-1917.
7 Ibidem.
8 “Porteiro en La Coruña”, en Gaceta de Galicia, 14-12-1917.
9 Ibidem.
10 Secretário da Câmara de Comércio da cidade, jornalista e poeta, fundador e diretivo do primeiro conselho da Irmandade da Fala. Posicionado cara o conservadorismo, polemizou com Vilar Ponte sobre a orientação de El Noroeste, após a morte de Porteiro pretendeu comandar as IF mas terminou por se afastar dela depois das eleições de 1918.
11 Mais dados em “Los parlamentarios catalanes”, en Gaceta de Galicia, 17-12-1917.
12 O discurso de Cambó e a sua palestra reproduzidos em “Los parlamentarios catalanes”, en Gaceta de Galicia, 17-12-1917.
13A resenha dos atos e extratos dos discursos em Gaceta de Galicia, 18-12-1917.
14 Gaceta de Galicia, 19-12-1917.
15 No final de 1917 Vicente Risco entrara nas Irmandades dá Fala baixo a influência de Antón Losada Diéguez, no decurso destes atos de confraternização regionalista pronuncia o seu primeiro discurso em galego.
16 Efetivamente, em 30 de Dezembro de 1917, D. Pedro Muntanyola i Carner, delegado de Cambó, adquiriria em nome deste a rotativa e cabeceira do jornal crunhês, El Noroeste, desembolsando – segundo Diario de Galicia (31-01-1918) – 160.000 pesetas da época. A redação com apoio de parte dos sócios abandonará o jornal e iniciará o localista e conservador El Orzán. A. Vilar Ponte abandona a colaboração em La Voz de Galicia, para dirigir a redação do renovado jornal, ainda que cedo entrará em conflito com Muntañola, Rodrigo Sanz e Antón Valcárcel. (Sobre El Noroeste, polémicas, suplementos e editora veja-se VÁZQUEZ SOUZA, E.: A fouce, o Hórreo e o Prelo, Eds do Castro, 2004, p. 103-137.)
17 Mui interessante para este aspeto a opinião do antigo republicano antirregionalista e logo conservador diretor de El Ideal Gallego, FERNÁNDEZ DIÉGUEZ, Eladio, “Primero, regionalismo y después, separatismo”, Almanaque gallego para 1918, Buenos Aires, 1917, pp. 14-15.



