Por José Ramom Pichel Campos
Há diferentes jeitos de construir qualquer um projeto em qualquer domínio do saber: ora desde a verticalidade ora desde a horizontalidade. A Catedral e o Bazar do autor Eric S. Raymond trata sobre este assunto e foi considerado como o manifesto do movimento do Open Source. O autor analisa o jeito de desenvolvimento do software modelo Catedral no que o código fonte do programa se disponibiliza em cada versão mas só um grupo de desenvolvedores tem acesso entre duas versões sucessivas do código. Esta forma de desenvolver acontecia por exemplo no desenvolvimento de um editor de textos em Linux chamado Emacs e também num dos compiladores da linguagem de programação C mais importantes e mais populares: o “gcc”.
Pola contra no modelo Bazar o código é desenvolvido totalmente de forma pública usando para isso todas as potencialidades que dá a Internet. Eric S. Raymond diz que o Linus Torvalds, o criador do “Linux”, já agora popularmente conhecido sobretudo polas suas distribuições mais populares: Ubuntu, Suse, Fedora, Debian, etc., fora na realidade o grande criador deste estilo de desenvolvimento de software.
Também diz o autor que o modelo da Catedral é um modelo que acontece tipicamente no software proprietário, para entendérmo-nos o que desenvolvem os gigantes da informática Apple e Microsoft. Mas no caso do software proprietário logicamente sem que o software se faga público e por tanto um modelo antagónico do modelo Bazar.
Eric. S. Raymond promovia desde este livro que o desenvolvimento de software, devia seguir um princípio proposto por Linus Torvalds: “Liberte rápido e continuamente, delegue tudo o que puder e seja aberto e flexível”. Ao contrário da construção de uma catedral onde tudo parece ser construído a base de planos, de direção infalível, de estrutura hierárquica, de secretismo, este jeito similar a um bazar cheio de ruído e vitalidade parecia que funcionava. Esta mudança no paradigma hierárquico é provavelmente o que fai que a dia de hoje o Linux entre como terceiro ator na luta pola hegemonia nos sistemas operativos e que já concorra nos computadores de sobremesa e nos portáteis com os gigantes da religião da maçã e da janela. As hierarquias são se calhar parte do passado.
Linux demostrou que construir pensando desde a verticalidade está em retrocesso. A sociedade cada dia se constrói mais de abaixo a acima graças à Internet, que está criando hábitos horizontais nas gerações novas, se calhar irreversíveis.
(*) Artigo publicado na coluna Medo aos aviões, do jornal Galicia Hoxe.
