2020: ano Carvalho Calero



Estátua Carvalho Calero (Compostela)

Carvalho Calero é um desses intelectuais que marcam umha sociedade por décadas. A sua candidatura chega à celebraçom do Dia das Letras Galegas com umha força sem precedentes, com um apoio praticamente unânime dentro da Real Academia Galega e com o aplauso generalizado de todas as pessoas preocupadas pola nossa cultura, que nos últimos anos denunciavam, também praticamente de forma unânime, que o facto de tentar censurar o seu ideário servisse para postergá-lo indefinidamente. A injustiça finalizou, mas a censura sofrida até hoje acabou por tornar maior a lenda, assente no firme compromisso de Carvalho com os seus ideais. Sem tirar nenhum mérito a todas e a todos os anteriores, nom se trata de mais um escritor em galego, e nom admiraria que se convertesse num exemplo de dignidade para as novas gerações, como já tinha sido importante para os seus coetâneos nas diferentes fases da sua vida. Mui novinho já redige junto com Lois Tobio o anteprojeto do nosso primeiro estatuto de Autonomia. A sua adesom à República leva-o a sofrer prisom e afastamento do ensino público durante décadas, mas o seu compromisso com a nossa língua foi em aumento, escrevendo o primeiro romance em galego após a guerra e a gramática e a história da literatura mais importantes até entom. Em 1980 a Junta Pré-Autonómica encarrega-lhe a elaboraçom de umhas normas para a Administraçom que vigoram dous anos. Som de filosofia reintegracionista, ainda que procurando o consenso com os sectores que nom compartilham essa via. Em 1982 as normas de Carvalho som retiradas polo conhecido Decreto Filgueira, que impom as que ainda atualmente se ensinam nas escolas, da autoria do Instituto da Lingua Galega (ILG). Começava a postergaçom de Carvalho e nascia o movimento reintegracionista.

Eduardo S. Maragoto

Eduardo S. Maragoto

(Barqueiro, Galiza, 1976) Estudou Filologia Portuguesa em Santiago de Compostela, cidade onde participou no sindicalismo estudantil e na fundaçom do Movimento de Defesa da Língua (MDL) através da Assembleia Reintegracionista Bonaval. Entre 2001 e 2006 trabalhou na Escola Oficial de Idiomas (EOI) de Valência, onde participou na constituição de Veu Pròpria (associaçom de novos e novas falantes de catalám) e da plataforma Nunca Mais. Na atualidade trabalha como professor de português na EOI de Compostela. Desde 2006 até 2010 pertenceu ao conselho de redaçom do jornal Novas da Galiza, jornal onde coordenou os trabalhos de correçom e a secçom de Além Minho. Também pertence à Gentalha do Pichel e à AGAL, associaçom que preside na atualidade. É autor do livro Como Ser Reintegracionista sem que a Familia Saiba e co-autor do Manual Galego de Língua e Estilo e dos documentários Entre Línguas, Em Companhia da Morte e A Fronteira Será Escrita.
Eduardo S. Maragoto

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  • http://www.isabelrei.com Isabel Rei Samartim

    Lendo-te percebo que o franquismo conseguiu que quem lutava por uma República galega acabasse concentrando as suas forças em matérias mais concretas e, ao mesmo tempo menos decisivas, como a defesa da língua ou da literatura. E daí nasce o reintegracionismo, do qual tantas vezes se tem dito que faz cultura e não política…