Entrevistamos o diretor artístico do II Certame de Canção de Autor em Galego 'Concelho de Teu

Xoán Curiel: «Os artistas novéis precisam espaços para amossar o que estão a fazer e criarem»

«O certame nasceu em 2014 após meditar muito na ideia de elaborar um espaço que também fosse plataforma para novos artistas»



Xoán Curiel

Xoán Curiel

A paixão de Xoán Curiel Ares (Fonsagrada, 1975) é a música. Começou a tocar a guitarra com 19 anos —atualmente ministra aulas deste instrumento— e deu o primeiro concerto aos 23. O primeiro disco, Nai, chegou uma década depois, em 2009, só depois de muitos anos tocando. Conhece bem, portanto, as dificuldades que deve enfrontar um artista nos inícios e, não por acaso, em 2014 promoveu a criação do I Certame de Canção de Autor em Galego ‘Concelho de Teu’.

A primeira edição do evento foi um completo sucesso, daí que neste ano se decidisse lançar a segunda edição do concurso, com o objetivo básico de dar um pulo nos inícios da carreira artística de algum autor ou autora que ainda não tenha nada publicado. Conforme as bases do certame, a pessoa ganhadora poderá gravar um EP, para o qual terá ajuda profissional em aspetos como o desenho gráfico; aliás, também se lhe organizará e promocionará uma turnê de apresentação do trabalho.

Antes de mais, Xoán, conta-nos quando e como nasceu a primeira edição do certame.

Nasceu no ano 2014, após meditar muito na ideia de elaborar um espaço que fosse, também, uma plataforma para os novos artistas criadores de canções na língua galega.

O concurso está focado especificamente para a canção de autor. Por qual razão?

É verdade que batemos o ponto nessa parte de criação, de maneira que as pessoas que participam no mesmo devem ser também as criadoras das músicas e das letras. Porém, decidímos abrir muito o conceito canção de autor, já que neste certame podem participar pessoas que só cantem ou que usem um instrumento qualquer, de uma guitarra até um acordeão, uma pandeireta ou unha lata de pimentão.

Então, mais do que grupos, falamos de criadores individuais. Assinalo isto porque se alguém foi cantor de um grupo e editou profissionalmente um disco com esse grupo, também poderia participar neste certame, mas como criador solista, com o seu nome e defendendo o seu próprio projeto.

A ideia é: uma voz e um instrumento. Por isso, se a pessoa criadora da canção não sabe tocar um instrumento, também poderia ser acompanhada de um instrumentista.

Nós achamos que a canção de autor ainda deve ser mais conhecida do que agora mesmo é.

Qual é o porquê de promover o certame num concelho pequeno, como é Teu, e nom numha grande vila ou cidade?

Em primeiro lugar porque eu ministro aulas de guitarra e criaçao de canções em Teu desde uns anos atrás, em que também morava lá, por isso foi o primeiro lugar em que decidi falar deste projeto. Mas também é claro que Teu aposta na cultura e na cultura de raiz, inclusive com propostas arriscadas como esta, que e tão novidosa.

Teu está-se a converter cada vez mais num referente cultural para toda a Galiza. Ajudam nisso certames como este?

Imagino que sim, mas também ajuda o trabalho de muitos anos e o risco de apostar por projetos como este Certame, que são arriscados, mas muito gratificantes para a alma das pessoas.

 

https://www.youtube.com/watch?v=omRsFM9OWtY

Vídeo promocional da segunda edição do certame

 

Cartaz da segunda edição

Cartaz da segunda edição

Que valorizaçom fazes da primeira edição do certame?

Ficámos felizes! A verdade é que houve uma grande participação, com muitas propostas de natureza diversa e os oito finalistas tinham uma grande qualidade. Por isso, eu estou satisfeito; e por isso fomos pela segunda edição!

Parafrasando o cartaz promocional, havia “fame” de um certame desta natureza?

Eu acho que sim! Os artistas novéis devem ter os seus espaços para amossar o que estão a fazer e criarem. E para o público galego também é necessário ter uma alternativa cultural própria e gostar do nosso, porque há pessoas que são muito boas e não dispõem de espaços para amossar o que fazem. Aliás, acho que há muito publico que imagina que não gosta, mas é como quando não provaste um prato e achas que não vais gostar, e isso é uma loucura, porque até que provas não sabes com certeza! E para poder provar este prato, precisamos espaços nos quais espalharmos tanto talento como há.

Houve algo que te surpreendesse de maneira especial?

Positivamente, a quantidade de pessoas e organismos que acreditaram no projeto desde o início.

Quais são as principais dificuldades para uma convocatória artística destas caraterísticas?

Chegar a todas as pessoas criadoras em galego espalhadas pelo mundo! Mas não temos que ir tão longe: eu tenho a sensação de que há muitas pessoas galegas que fazem canções aqui e ainda não sabem deste evento.

Quando decidiu a organização ir adiante com uma segunda edição?

A ideia já estava na cabeça enquando decorria a primeira, mas acho que ficámos fortes após de ver que estava a rolar tão bem!

Estamos já nos últimos dias para os interessados enviarem as suas propostas. Como está a ser a participação?

A participação esta a ser boa, mas acontece que as pessoas demoram até à derradeira semana, imagino que para preparar bem a canção que vão enviar.

Um dos objetivos da segunda edição é que cheguem propostas de géneros que ainda não marcaram presença na primeira, é assim?

É, sim. Eu gostaria que chegassem propostas de pessoas do tradicional, mas que inventem as suas coplas e as toquem com pandeireta, pandeiro ou qualquer outro instrumento, mesmo a capella…ou  mesmo a capella!

Também seria bom que houvesse surpresas e aparecesse algum grupo tão especial como os Couple Coffe (baixo elétrico e voz); que houvesse alguma proposta innovadora e arriscada.

 

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