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Universidade Fluminense programa novos eventos galegos em 2009

José Carlos da Silva – Desde 1991, a Universidade Federal Fluminense, de Niterói, Estado do Rio de Janeiro, promove atividades acadêmicas e sociais com o propósito de incentivar, promover e realizar ações que estimulem o intercâmbio cultural entre os países de língua portuguesa e galega.

O sucesso dessas ações motivou a criação do Núcleo de Estudos Galegos, em 1994 e a assinatura de um convênio entre a instituição e a Xunta de Galicia. Para coordenar o convênio foi indicada a Professora Maria do Amparo Tavares Maleval, atual diretora do Núcleo de Estudos Galegos e, após a sua aposentadoria, a coordenação passou para o Professor Fernando Ozório Rodrigues, vice-diretor do Núcleo.

Desde então, vários eventos acadêmicos e intercâmbios foram realizados, aproximando pesquisadores e alunos brasileiros e galegos. No curso de Introdução ao Galego traz o vínculo histórico do galego com o português e a situação do galego como língua que vem resistindo secularmente à dura opressão a que é submetida.

O Portal Galego da Língua entrevistou o atual coordenador, que explicou os objetivos do convênio, a forma de atuação do Núcleo de Estudos Galegos, sua evolução e planos para o próximo ano, entre outros assuntos.

Acompanhe a seguir os melhores momentos:

PGL – Quando foi criado o Núcleo de Estudos Galegos da Universidade Federal Fluminense?

Fernando Ozório Rodrigues – O NUEG foi criado em 10 de janeiro de 1994, por Norma de Serviço do Magnífico Reitor José Raimundo Martins Romeo, logo após a assinatura do 1º Convênio da UFF com a Xunta de Galicia

PGL – Quais são as formas de atuação/atividades do Núcleo?

F.O.R – O NUEG tem como objetivo divulgar a língua, a literatura e a cultura galegas no âmbito da Universidade Federal Fluminense.

Para atingir esse objetivo, são oferecidos:

  • cursos de extensão de língua, de literatura e de cultura galegas;

  • atividades acadêmicas, como ciclo de palestras, mesas-redondas e jornadas tendo sempre o galego ou a Galiza como tema central;

  • comemoração do Dia das Letras Galegas (17 de maio);

  • Publicações: o periódico “Estudos Galegos” (com 5 números publicados); a coleção “Estante Medieval” (com 4 números publicados); foi publicada também a obra Maravilhas de São Tiago – narrativas do Líber Sancti Jacobi (Codex Calistinus), de autoria da Profa. Maria do Amparo Tavares Maleval.

  • produção de CDs, gravados pelo Conjunto Música Antiga e pelo Conjunto Longa Florata, ambos da UFF: “Cânticos de amor e louvor”, “Annua Gaudia, a Música do Caminho de Santiago” e “Medievo-Nordeste”.

PGL – Em março/2008 foi oferecido o curso de “Introdução ao Galego”, quantos alunos participaram, qual o perfil e opinião dos mesmos sobre a iniciativa?

F.O.R – Do curso de extensão “Introdução ao Galego”, ministrado pelo Prof. Dr. Xoán Carlos Lagares, participaram cerca de 80 alunos, entre os quais havia professores, alunos do curso de Letras e do curso de História, da UFF e de outras universidades. Os alunos aplaudiram a iniciativa do NUEG, elogiaram a qualidade do curso e solicitaram o oferecimento de outros cursos sobre a cultura galega.

No 2º semestre de 2008, o curso foi repetido no Liceu Literário Português do Rio de Janeiro, no qual se matricularam 30 alunos. Da mesma forma, o curso teve avaliação muito positiva.

PGL – Qual era a expectativa dos alunos em relação ao aprendizado do galego?

F.O.R – Vários alunos se identificaram como descendentes de famílias galegas; outros se diziam interessados pela cultura galega em razão de alguma pesquisa acadêmica; outros se apresentavam como curiosos de conhecer uma cultura da qual tinham ouvido falar mas nada conheciam; mas todos, após as primeiras aulas, demonstravam vivo interesse por dois motivos principais: o vínculo histórico do galego com o português e a situação do galego como língua que vem resistindo secularmente à dura opressão a que é submetida.

PGL – Quais são as atividades previstas para 2009 no Núcleo de Estudos Galegos?

F.O.R – Ainda não fechamos a programação de 2009, mas já temos previsto um curso de extensão sobre Os Caminhos de Santiago, outro curso de extensão sobre a norma do galego a ser ministrado por um professor da Universidade de Santiago de Compostela, a publicação de mais um número do periódico “Estudos Galegos” e da coleção “Estante Medieval”, além, é claro, da comemoração do Dia das Letras Galegas.

PGL – A Universidade Federal Fluminense mantém convênio/intercâmbio com Universidades galegas? Quais? Como funciona o convênio?

F.O.R – Tenho informações de que a UFF mantém convênio com a Universidade de Santiago de Compostela, mas não sei quem coordena o convênio, nem como funciona.

PGL – A Universidade Federal Fluminense mantém parceria com a Universidade Estadual do Rio de Janeiro – UERJ? Como funciona e quais as atividades são desenvolvidas em conjunto?

F.O.R – A parceria com a UERJ tem uma história própria. A grande idealizadora e executora do convênio da UFF com a Xunta de Galicia e da criação do NUEG é a Profa. Maria do Amparo Tavares Maleval. Aposentando-se da UFF ainda na década de 90, a referida professora ingressou por concurso na UERJ, onde criou o Programa de Estudos Galegos e passou a coordenar o convênio da UERJ com a Xunta de Galicia. Na UERJ, passou a funcionar um leitorado galego, atualmente sob a regência do Prof. Baltasar Pena Abal.

O vínculo do PROEG com o NUEG é intenso, principalmente na atividade relacionada às publicações.

PGL – A UFRJ firmou convênio em 1998 com a Xunta de Galicia, sob coordenação da Professora Maria do Amparo Tavares Maleval. O senhor poderia citar alguns eventos e atividades desse convênio? Com 10 anos, ele é o mais antigo do Brasil?

F.O.R – Não. O convênio sob a coordenação da Profa. Maria do Amparo Maleval é da Xunta com a UERJ.

Na verdade, a Xunta de Galicia mantém convênios com a UFF, com a UERJ, com a Universidade de São Paulo e com a Universidade Federal da Bahia. Não sei qual deles é o mais antigo. Desses, o da USP é o mais recente.

PGL – A Universidade Federal Fluminense tem planos de criar um curso de graduação para o ensino do galego, como por exemplo Letras Português/Galego, seja presencial ou Ensino à Distância?

F.O.R – Não, não há nenhum projeto nesse sentido. A criação de um curso de graduação implica inúmeras providências e despesas. Infelizmente o galego não goza de prestígio que justifique tal iniciativa. Ainda mais havendo na UFF a graduação em Língua Espanhola.

PGL – Qual a sua opinião/análise sobre a Reforma Ortográfica prevista para 2009?

F.O.R – Tenho um ponto de vista positivo sobre o Acordo Ortográfico (não é uma Reforma, mas um Acordo Ortográfico) do mundo lusófono. A Língua Portuguesa passa a ter um status de língua de ortografia uniformizada, o que é importante para os usuários da língua, como para a Língua nos organismos internacionais. E como as alterações ortográficas são poucas, não haverá maiores conseqüências para o aprendizado.

PGL – Como essa reforma pode auxiliar no processo de reintegração do galego no mundo lusófono?

F.O.R – Os galegos não participaram do processo que resultou no Acordo. Assim, não sei como o resultado do Acordo pode ter algum proveito para a inserção do galego no mundo lusófono. Principalmente agora, quando os galegos conseguiram normatizar a Língua Galega.

PGL – De que forma as universidades brasileiras podem ajudar nesta reintegração?

F.O.R – São poucas as universidades brasileiras que mantêm convênio com a Xunta ou com universidades galegas, ainda que seja expressivo o número de pessoas galego-descendentes no Brasil. E na verdade, essa é uma questão que passa inteiramente por uma discussão interna na Galiza. Ouvi um professor galego, da Universidade da Coruña, este ano, falar num mundo galego-lusófono, ou numa galegofonia. Mas penso que, para se chegar a esse estágio, muitos debates têm de acontecer, principalmente no universo galego.

 

Nosso entrevistado

Fernando Ozorio Rodrigues.

Formação acadêmica:

  • Professor do Departamento de Letras Clássicas e Vernáculas da Universidade Federal Fluminense, Setor de Língua Portuguesa (aposentado).

  • Doutor em Língua Portuguesa pela Universidade Federal do Rio de Janeiro.

  • Membro da Academia Brasileira de Filologia.

  • Participou do Curso de Verão, de Língua, Literatura e Cultura Galegas, promovido pelo Instituto de Língua Galega e pela Universidade de Santiago de Compostela, em julho de 2001.

 

 
Em pé (esquerda para a direita) : Prof. Rosalvo do Valle, Prof. Fernando Ozorio, Prof. Horácio Rolim, Prof. Evanildo Bechara e Prof. Leodegário Amarante.
 
Sentadas: Profa. Maria do Amparo Maleval e Profa. Yara Frateschi.
 

[ Foto tirada no lançamento do volume 2 da Estante Medieval, na Academia Brasileira de Letras, em abril de 2008 ]

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