O autor da 'Beve História do Reintegracionismo' foi entrevistado por Vigo Dixital aquando o lançamento na cidade olívica

Tiago Peres: «Perdeu-se um tempo valioso; uma norma confluente com o padrão português teria agido como um reforço para os galego- falantes»

«As gerações educadas com as NOMIG, por que iriam achar verossímeis as propostas dos defensores de uma confluência ortográfica com o português?»



Tiago Peres, autor da 'Breve História do Reintegracionismo'

Tiago Peres, autor da ‘Breve História do Reintegracionismo’

Com motivo da recente apresentação na cidade olívica da Breve História do Reintegracionismo, o diário Vigo Dixital publicou uma alargada entrevista com o autor, Tiago Peres.

Na entrevista, começa explicando as origens do próprio livro, que surge numa conversa com Valentim Fagim, na altura presidente da AGAL. «Foi ele quem me falou da possibilidade de escrever um livro sobre a história do reintegracionismo, mas de caráter divulgador e onde tivesse muita importância o aspeto gráfico». Embora já havia estudos «muito profundos» sobre algumas etapas do movimento, Peres viu que «não havia um livro que proporcionasse uma visão global desde o seu nascimento até a atualidade. Foi precisamente essa ideia a que me animou a escrevê-lo».

Segundo Peres, as gerações instaladas no sistema educativo com as NOMIG (Normas Ortográficas e Morfolóxicas do Idioma Galego), as aprovadas polo ILG e a RAG em 1982, «foram educadas para pensarem que o galego e o português são duas línguas diferentes. Por que iriam achar  verossímeis as propostas dos defensores de uma confluência ortográfica com o português? Foram educadas para pensarem o contrário». No entanto, o livro fornece suficientes informações que indicam que nem tudo era uma certeza incontestável naquela altura, pois «as lutas normativas entre os partidários de uma confluência com o português e os separadores ou isolacionistas foram lugar comum na história do galeguismo».

A este respeito, Peres acredita que se perdeu muito tempo, «um tempo valioso», especialmente «se temos em conta a diminuição de galego-falantes e a falta de transmissão generacional do galego». Neste ponto, «uma norma confluente com o padrão português não só teria agido como um reforço para os galego-falantes, ao serem utentes de duas línguas internacionais. Também se teriam alcançado maiores quotas de bem-estar na sociedade». Precisamente, a ideia base da ILP Valentim Paz-Andrade, já convertida em Lei, é «aproveitar as potencialidades que temos na Galiza de conexão com o mundo lusófono. Desejemos pelo bem de todos os galegos e galegas que assim seja».

Breve história do reintegracionismo


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