Por José Manuel Nunes Vilar
Nom há quem tire da boca aos líderes políticos a importância das línguas em funçom do número de falantes e das leis do mercado. Feijó, Tourinho e mesmo Quintana, nom deixam de ratificar esta ideia que parece estar bordada com fios de outro a causa dum absurdo conceito de moda.
Pelos vistos já nom fica um espaço no mundo para a riqueza étnica, para a magnificência da diversidade cultural, pois mais umha vez o monstruoso livre mercado sai muito custoso. As elites económicas som a cada bocado mais grandes, mitológicos ciclopes que ficam sem Heráclitos nem Odisseus que lhes façam frente.
Gris de contaminaçom, gris de tristura, é o futuro globalizado cumha língua mais exitosa que as demais, arrogante porque é a mais falada, poque é o paladim dos poderosos, e será nesta língua em que a sociedade dará os seus passos mais firmes face ao reino da falácia, face ao despotismo dos entes macro-capitalistas à frente dos nossos pensamentos, ao governo nom de indivíduos, mas de consumidores, nom de humanos, mas de bilheteiras.
Contudo, é decorando as palavras de Manuel Quintás Suárez, de irmos temos direito a fazê-lo com certa elegância, lutando, mas eu, nas Antípodas de aceitar qualquer derrota, desejo exprimir o meu estupor numha língua saqueadora e que já crónica, o latim, e só umha frase me pode vir à mente: Sic transit gloria mundi.
O Páramo, Fevereiro de 2009
