Partilhar

Rosa Virgínia Mattos Silva: “Língua não é um conceito lingüístico, mas político”

José Carlos da Silva – O Espaço Brasil entrevistou, via e-mail, a Professora Doutora Rosa Virgínia Mattos Oliveira e Silva, uma das mais influentes lingüistas brasileiras, especializada em Português arcaico e titular de Língua Portuguesa do Instituto de Letras da Universidade Federal da Bahia.

PGL – A Universidade Federal da Bahia oferece curso de literatura galega ou mantém convênio com universidades da Galiza?

RVMS – A UFBA tem um centro de estudo da língua galega (CELGA).


PGL – Em especial para as novas gerações, qual é a importância do estudo do Português arcaico e como este pode contribuir para o entendimento e evolução da Língua?

RVMS  – Aqui as novíssimas gerações se interessam e muito pelo português arcaico.


PGL – Em sua opinião, o Acordo Ortográfico atingirá seu objetivo de normatizar a Língua Portuguesa em todos os países lusófonos?

RVMS  – Ortografia não é língua, portanto não se pode normatizar a Língua Portuguesa nos países lusofónos.

 


PGL – Em seu trabalho “Três Sócio-Histórias: três línguas”, apresentado na mesa redonda “Aspectos históricos do galego-português” no VII Congresso Internacional de estudos galegos (set/2006), a senhora distingue o Português de Portugal, do Brasil e da Galiza como três línguas diferentes entre si. Por favor, explique-nos esta colocação.

RVMS – Estou nisso com Chomsky, “língua não é um conceito linguístico, mas político”. Se há um território definido e um estado há uma língua. Com a autonomia da Galiza, pós-franquista, a Galiza autônoma, tem a sua língua.


PGL – Não poderíamos fazer um paralelo desta situação linguística com o inglês falado na Inglaterra, nos EUA e na África do Sul?

RVMS  – Não conheço tal situação.


PGL – O Professor Ricardo Carvalho Calero (1910-1990) afirma em seu livro “Da fala e da Escrita” que: “As modernas afirmaçons dalguns filólogos portugueses, segunda as quais, rota a unidade política, o Português sofreu um processo de desgaleguizaçom, nom podem ser entendidas senom no sentido de que traços dialectais do Centro e do Sul (de Portugal) se converterom em normativos, porque o poder de decisóm política se estabeleceu em Lisboa”. A senhora concorda com esta afirmação?

RVMS  – Não conheço esse livro de Carvalho Calero, contudo concordo com a afirmação acima.

 



PGL – O autonomismo do galego, distanciado do Português, não seria o decreto de morte da língua, ao seguir em uma perspectiva castelhanista?

RVMS  – Ao meu ver, dependendo dos galegos, o autonomismo não seria a morte do galego, pelo contrário!


PGL – O Minho é também uma fronteira linguística?

RVMS  – O Minho é uma fronteira, principalmente, política.



Conheça a entrevistada

Rosa Virgínia Mattos e Silva, Doutora em Lingüística pela Universidade de São Paulo (1971), com Pós-Doutorado na Universidade Federal do Rio de Janeiro (1981), é Professora Titular de Língua Portuguesa do Instituto de Letras da Universidade Federal da Bahia, pesquisadora I-A do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), docente fundador do Programa Pós-Graduação em Letras e Lingüística da UFBA e Coordenadora do Grupo de Pesquisa Programa para a História da Língua Portuguesa – PROHPOR, de que foi criadora, em 1991. É membro fundador do Projeto Nacional Para a História do Português Brasileiro – PHPB (1997) e integra grande parte de instituições científicas nacionais e estrangeiras, colaborando ainda com vários Conselhos Editoriais de periódicos indexados.

O seu exemplo de excelência acadêmico-científica – sempre em prol do desenvolvimento dos estudos relativos à história da língua portuguesa, desde seus primórdios, no período arcaico, até à constituição do português brasileiro – estimulou a Universidade Federal da Bahia (UFBA), em parceria com a Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS) e a Universidade do Estado da Bahia (UNEB), a promover o ROSAE – I Congresso Internacional de Lingüística Histórica, em sua homenagem(26 a 29 de julho de 2009), em Salvador, que contou com a participação de alguns dos maiores especialistas nessa área do conhecimento humano.

 

Os artigos dos topónimos no novo Nomenclátor

Juan Luis Fernández apresenta o livro Futebol Gaélico em Celanova

Colóquio sobre Tourists, go home? na Semana do Livro de Compostela (SELIC)

Lançamento do livro, Tourists, go home? em Pontedeume

Lançamento do livro Begonha Caamanho, na Corunha

Henrique Marques Samyn visita Compostela para falar sobre literatura negra brasileira

Os artigos dos topónimos no novo Nomenclátor

Juan Luis Fernández apresenta o livro Futebol Gaélico em Celanova

Colóquio sobre Tourists, go home? na Semana do Livro de Compostela (SELIC)

Lançamento do livro, Tourists, go home? em Pontedeume