No dia 10 de outubro, em entrevista coletiva com a imprensa, Filipe Zau, reitor da Universidade Independente de Angola e membro da AAL, recomendou que o governo angolano não ratifique o Acordo Ortográfico, de 1990.
A Academia Angolana de Letras – AAL – foi criada em setembro de 2016 e conta com 43 membros, após ouvir os participantes, resolveu ficar contra a ratificação, justificando que existe uma grande quantidade de “exceções à regra” e não contempla as contribuições das línguas angolanas na formação do idioma, o que dificulta a promoção do conhecimento, a alfabetização e não concorre para a unificação da Língua Portuguesa.
O comunicado da AAL destaca que o acordo “diverge, em determinados casos”, de normas da Organização Internacional para a Padronização (ISSO) sobre o conceito ligado à ortografia, além de “não refletir” os princípios da UNESCO nem os da Academia Africana de Letras (ACALAN) sobre a “cooperação linguístico-cultural com vista à promoção do conhecimento enciclopédico e de paz”.
Para o presidente da AAL, escritor Boaventura Cardoso, em Angola, a língua portuguesa é a oficial e é falada “mais ou menos em todo o país”, tendo-se tornado “materna” para grande parte dos angolanos, uma vez que 65% da população utiliza-a na comunicação diária, tal como revelou o último censo populacional de 2016.
O AO de 1990 “trouxe mais problemas do que resolveu”: “trouxe o iminente risco de uma deriva arriscada que pode levar à desvirtualização da Língua Portuguesa”, completou Cardoso.
Depois de tantos anos da iniciativa, apenas Portugal, Cabo Verde, Brasil, São Tomé e Príncipe ratificaram o Acordo Ortográfico. Dos nove países da CPLP, apenas estes quatro Estados ratificaram o acordo.
