Renasce a Plataforma Aregueifa20.net



A Regueifa 2.0 (re)nasce com o objetivo de ser altifalante do barulho criativo disperso, uma plataforma de difusão sem fins lucrativos onde qualquer criador/a pode dar a conhecer a obra auto-editada, com trabalhos em que têm importância a experimentação, o audiovisual, a música e a imagem, a plataforma já acolhe algumas das últimas novidades desta primavera.

capa-aregueifa20O CD de estreia de BREOGAN XAGUE é a última referência no catálogo, após os novos álbuns  de GRAMPODER (PM, LP 2022) e HOLGADO (O fillo de Suso, LP 2022), já disponíveis em todas as plataformas digitais.

 BREOGAN XAGUE – XAGUE1 (LP 2022)
O pintor e escultor Breogán Xague (Vigo, 1999) surpreende-nos com um álbum de estreia que não é fácil de etiquetar pela querença de experimentação mais brava. Pode ser que se encerrássemos num local de ensaio Aphex Twin, DJ Shadow, o Hevi e, como não, Emilio José saísse uma proposta similar a este XAGUE1, o primeiro álbum duma trilogia sobre emigrar onde “a voz que fala volta à sua terra sabendo que voltará a ir-se embora “.

Oito peças de abstract hip-hop -com as suas oito videocriações- que funcionam como um conjunto indivisível, articuladas como uma grande colagem de pedaços sonoros onde os samples constituem a paisagem experimental que alicerça umas rimas que procuram a desconstrução do tópico do galego emigrado, saudoso e morrinhento, e como se tem empregado para desativar um discurso mais político dos motivos estruturais históricos da emigração galega

GRAMPODER – PM (LP, 2022)
O duo compostelano Grampoder regressa após oito anos com PM, um álbum com 10 novas músicas de raivoso pop escuro em que a frustração e o desencanto aos que leva, sem remédio, a vida moderna é o fio condutor. Como um cruzamento impossível entre os Pixies e os Sleaford Mods, a sua proposta de pop de guitarras escravo da melodia num formato mínimo de seis cordas e bateria é a banda sonora perfeita para umas letras que são punhadas que vão diretas ao estômago.

HOLGADO – O fillo de Suso (LP, 2022)
O barcalês HOLGADO debulha ao longo de doce músicas a meio caminho entre o neofolk mais despido e a Americana de raiz, as lembranças de uma infância rural que se extingue irremediavelmente, num exercício de nostalgia absolutamente comovedor. Uma carta de amor aos seus anos de juventude onde são evidentes as influências do outro lado do Atlântico de gigantes como Bill Callahan, Will Oldham, Damien Jurado ou Bon Iver, mas não tanto o substrato inconsciente com que o músico de Negreira nos remete para os grandes songwriters galegos da década de 70 como Suso Vaamonde, Miro Casabella ou Benedicto.

Que foi a Regueifa2.0?
O 8 de março de 2006 arrancava o netlabel A REGUEIFA PLATAFORMA com a edição do primeiro álbum de Fanny + Alexander. Pouco depois veria a luz o debute de Projecto Mourente e assim, devagar, iriam saindo até 106 referências ao longo dos seguintes cinco anos, um catálogo multidisciplinar em que habitava desde a música até à literatura ou ao audiovisual mais diverso.
Numa etapa em que os blogues dominavam a criação de conteúdo na Rede e em que as redes sociais e os serviços de streaming ainda eram apenas um pequeno abrolho do que som hoje, o netlabel foi o lugar onde dúzias de projetos criativos de todas as disciplinas puderam centrifugar a auto-edição da sua obra sob as premissas da cultura livre para [email protected] do Creative Commons e o espírito autogerido do Do It Yourself.

Que poderia ser a regueifa 2.0?
Num tempo em que tanto o streaming (Bandcamp, Spotify, Youtube…) como a auto-edição física (Kickstarter, Verkami, Blurb…) permitem a qualquer pessoa dar a conhecer a sua obra não faz sentido um netalbel como foi ARP onde se podiam descarregar diretamente as obras. O caminho mudou e hoje o foco centra-se em ser um altifalante dessas auto-edições, um lugar coletivo desde onde centrifugar essa criatividade.
Carregar um CD no Spotify ou Bandcamp ou auto-editar o teu livro em Blurb é simples, o difícil chega depois: atingir o teu público, além do minifúndio das próprias redes sociais, e situar a obra num contexto, numa cena. A isso aspira a regueifa contemporânea. Nada menos.


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