A associaçom educativa, junto a outras dez entidades sociais, educativas e culturais da cidade herculina, promove a instalaçom duma placa comemorativa na primeira sede da escola fundada polas Irmandades da Fala.
A iniciativa educativa popular Semente apresenta no Concelho da Corunha nesta sexta- feira, 12 de janeiro, um projeto memorialístico para o reconhecimento e valorizaçom da Escola de Ensino Galego no ano do seu centenário (1924-2024). Segundo a associaçom promotora, “o empreendimento educativo das Irmandades da Fala representa a capacidade do povo galego para defender a língua e cultura próprias no ensino num momento histórico em que estas estavam proibidas pola ditadura primorriverista”. Uma necessidade, a da iniciativa educativa popular, que ainda vigora no presente perante os negativos informes do seminário de sociolinguística da Real Academia Galega. Estes relatórios, como o Mapa Sociolingüístico escolar de Ames, apontam para a escola pública como um “factor de desgualeguizaçom da infância e adolescência”, em coeherência com os dados fornecidos polo Instituto Galego de Estatística, que testemunham um alarmante desconhecimento da língua própria que atinge por volta da quarta parte do estudantado entre os cinco e catorze anos.

No atual contexto educativo desgaleguizador, as Escolas de Ensino Galego Semente consideram que a celebraçom do centenário deste projeto educativo é fulcral nom apenas para conhecer a capacidade do movimento irmandinho para formular o programa educativo mais avançado do primeiro terço do S.XX e levá-lo à práctica, senom para atualizar o papel da autogestom educativa no presente e construir colectivamente um futuro caracterizado por valores ligados a uma educaçom humanística, igualitária, inclusiva, laica e auto-centrada.
A organizaçom fai um chamado à cidadania da Corunha a participar numa homenagem pública no próximo 23 de abril, a partir das 11 h. da manhá, na que se instalará uma placa comemorativa no número 17 da Praça Maria Pita, atual sede da Fundaçom Paideia e primeiro local da Escola de Ensino Galego. O evento será apresentado por Xurxo Souto, contará com passeios didáticos dramatizados polos Quinquilláns e por Séchu Sende, assim como com a participaçom do coro Cántigas da Terra, que interpretará a Foliada da Corunha junto ao alunado dos seis centros educativos da Semente.
A organizaçom fai um chamado à cidadania da Corunha a participar numa homenagem pública no próximo 23 de abril, a partir das 11 h. da manhá, na que se instalará uma placa comemorativa no número 17 da Praça Maria Pita, atual sede da Fundaçom Paideia e primeiro local da Escola de Ensino Galego.
Para o desenvolvimento do evento a entidade organizadora procura a colaboraçom institucional. Neste sentido, o programa será apresentado o dia 12 de janeiro à deputada Mercedes Queixas, do Bloque Nacionalista Galego, e nos próximos dias ao resto de partidos políticos com representaçom no Concelho, dado o interesse geral da atividade. Uma relevância representada no apoio recebido por parte de dez entidades sociais, culturais e educativas, entre as quais se encontram: A.C. Alexandre Bóveda, Associaçom de Estudos Galegos, Associaçom Galega da Língua, Comisión pola Recuperación da Memória Histórica, Centro Social Gomes Gaioso, Centro Social O Facho, Fundación Galiza Sempre, Local Social Acunhas e Foucelhas, Nova Escola Galega e Refuxios da Memoria.
A este consenso cívico e social soma-se, ademais, o validamento académico do Doutor Antón Costa Rico, Catedrático jubilado de Hª da Educación da Universidade de Santiago de Compostela, quem considera que “é preciso fazer um reconhecimento de memória e de agradecimento cara esta iniciativa educativa e das pessoas que impulsárom e sustentárom este facho generoso de porvir, que a cidade da Corunha, sem duvidá-lo, aprécia”. Um agradecimento referido a figuras como Ângelo Casal, Elvira Bao, Leandro Carré ou Maria Miramontes, entre outras irmandinhas/os, que procuravam “cuidar da educaçom dos que venham para cimentar a Galiza do porvir” fazendo da escola, em palavras de Vicente Viqueira, o “lar da Galiza”. Uma casa do povo que devia ser acolhedora nom apenas para a língua do País, senom também para a sua História, Geografia e as diversas Artes que conformam a cultura nacional com a finalidade de que as futuras geraçons continuassem nutrindo-a “sem influências alheias”, como célula de universalidade.
A Escola de Ensino Galego funcionaria do ano académico 1924 ao 1930. Por ela passariam por volta de cem discentes tendo como mestres a Ângelo Casal e Manuel Luís Acunha, que exerceriam um magistério caracterizado polas ideias institucionistas e escolanovistas divulgadas polo ilustre filósofo e psicólogo Vicente Viqueira.
A Escola de Ensino Galego funcionaria do ano académico 1924 ao 1930. Por ela passariam por volta de cem discentes tendo como mestres a Ângelo Casal e Manuel Luís Acunha, que exerceriam um magistério caracterizado polas ideias institucionistas e escolanovistas divulgadas polo ilustre filósofo e psicólogo Vicente Viqueira.
Assim, frente a um ensino memorístico, doutrinador e dogmático, propunha-se uma educaçom guiada pola luz do conhecimento científico, o pensamento livre e o desenvolvimento integral da infância como alavanca de progresso social, cultural e económico. Este centro educativo receberia a visita de referentes culturais e políticos de primeira ordem como Vilar Ponte, Lesta Meis, Daniel R. Castelao, Outeiro Pedraio ou Soares Picalho, entre outros. A experiência acabaria com o início da década de trinta, ao se deslocarem Ângelo Casal e Maria Miramontes a Compostela para instituirem ali a Editora Nós, no entanto a sua memória vive no seu projeto epígono: a Escola de Ensino Galego Semente, que continua a trabalhar para tornar possível o velho sonho irmandinho da Escola Nacional Galega.
