José Carlos da Silva – Enquanto o mundo lusófono discute o Acordo Ortográfico, para facilitar o acesso dos falantes do idioma português, a professora paranaense Andressa Tessari, de uma escola rural da cidade de Terra Roxa, Paraná, enfrenta uma situação inusitada.
Diferente dos professores dos grandes centros urbanos brasileiros que sofrem com problemas de indisciplina e violência, na pequena escola, professora e alunos não se entendem por causa do idioma.
Dos 87 alunos matriculados nas primeiras séries do ensino Fundamental, 40 falam apenas o idioma guarany e, Andressa Tessari tem de recorrer a uma aluna bilíngüe, para ensinar estes alunos.
Outro agravante é que os pequenos guaranis não estão regularmente matriculados, pois não possuem documentos pessoais. Com isto, não recebem os materiais escolares enviados pelo governo estadual.
Distante dos meios de comunicação, existe aproximadamente 180 outras línguas no Brasil. Desconsiderando neste número as comunidades de imigrantes nem as pessoas que aprendem uma língua estrangeira. São só os idiomas indígenas, falados por cerca de 160.000 pessoas.
Algumas destas línguas indígenas conservam hoje, apenas um falante, como é o caso do idioma Macu, Xipaia e Xetá. No caso do Paraná, provavelmente, estes pequenos guaranis falam o Embiá, uma variante do guarani falada em 7 estados brasileiros: Mato Grosso do Sul, Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, São Paulo, Rio de Janeiro e Espírito Santo, além de Argentina e Paraguai.
Veja a reportagem da Rede Globo de Televisão nesta ligação.
