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Passos pequenos olhando ao longe

A Associaçom Galega da Língua (AGAL) quer pronunciar-se relativamente à recente apresentaçom do Plan Xeral de Normalización da Lingua Galega (PXNLG) [ver ficheiro em pdf] por parte da Xunta de Galicia, um texto que tem recebido muitas críticas do ponto de vista político, ao tratar-se de uma atualizaçom doutro anterior que, efetivamente, nom chegou a ser desenvolvido, e em relaçom ao qual mesmo se produzem recuos significativos para o galego.

O que mais lamentamos é a despariçom da mençom a um mínimo de 50% de matérias que deviam ser dadas em galego nas diferentes etapas do ensino nom universitário, ficando assim validado o problemático Decreto de Plurilinguismo que garante apenas 33% de matérias lecionadas nesta língua.

Porém, devemos reconhecer que, no que toca à nossa responsabilidade direta, a de garantir que o galego mantenha os seus vínculos com o português, os avanços som resenháveis.

A AGAL E O PXNLG

A nossa associaçom colaborou de diversas maneiras no Plano. Alguns membros da sua diretiva participárom através da resposta a questionários que lhes fôrom requeridos ou na própria redaçom do mesmo, nomeadamente na Comisión de Proxección Exterior e Lusofonía. E houvo ainda mais pessoas sócias entre as redatoras e entrevistadas doutras comissões. Ao todo, por diferentes vias, a AGAL fijo chegar ao PXNLG centenas de propostas.

É verdade que só uma pequena parte das mesmas prosperou, um resultado do qual éramos plenamente conscientes desde o momento mesmo em que decidimos participar, mas é nisso que consistem os processos participativos que envolvem tantas pessoas: podem avançar mais ou menos propostas próprias, mas todas é impossível, principalmente se partimos de posições divergentes quanto a elas, como é o caso.

Por isso podemos concluir que, apesar de todo, algo se avançou: no Plano de 2004, o português e a Lusofonia praticamente nom apareciam mencionados. Ambos alcançam agora perto de 100 menções. Se for aprovado, vai ser a primeira vez que a normalizaçom do idioma e a Lusofonia apareçam relacionadas no nosso quadro normativo.

O português encontra-se agora claramente explicitado entre os objetivos do setor da ECONOMIA, da EDUCAÇOM ou da COMUNICAÇOM, INFRAESTRUTURAS E INDÚSTRIAS CULTURAIS, ganhando medidas concretas no setor da SAÚDE ou da SOCIEDADE.

LUSOFONIA, GALEGO EXTERIOR E PROJEÇOM

Mas onde obviamente ganha importância a relaçom com o português e a Lusofonia é no sector em que esta vai figurar no próprio título:LUSOFONIA, GALEGO EXTERIOR E PROJEÇOM, que em si mesmo já é um reconhecimento do galego dentro do mundo em que devia estar mais inserido.

Entre os objetivos desta área, aparecem agora velhas reivindicações do nosso movimento: “Ter datos fiables sobre a visión da lingua que temos os falantes sobre a relación do galego co portugués.”; “Presentar Galicia na lusofonía como país de acollemento, usando a lingua como factor de simpatía que consolide os fluxos turísticos entre países lusófonos e Galicia”; “Conseguir que os visitantes lusófonos (inmigrantes ou turistas) volvan aos seus países cunha idea das nosas peculiaridades como pobo, principalmente aquelas que máis nos unen ás terras de orixe deles”; etc.

Já em relaçom à concretizaçom destes objetivos, caso o plano venha a ser implementado com decisom, som muitas as medidas das quais poderemos tirar proveito. Eis algumas:

  1. Campaña para presentar o galego como facilitador da comunicación coa lusofonía, sen obviar que se precisa de certa preparación en portugués para iso.
  2. Promover campamentos de verán para as nenas e nenos e adolescentes na raia portuguesa (ou en Portugal ou alternando cada ano nun lugar diferente de Galicia/Portugal) para conviviren galegos e portugueses, con linguas de comunicación galego e portugués e con actividades e talleres culturais, lingüísticos, sociais, etc.
  3. Facer intercambios de libros infantís con bibliotecas portuguesas. Programar asistencia de familias á hora do conto dun lado e doutro da fronteira, nomeadamente nas Eurocidades.
  4. Acordo entre a CSAG e a RTVP para poñer en marcha programas mixtos galego-portugueses, e facilitar o acceso mediante subtitulados con transcrición fiel da lingua utilizada en cada caso.
  5. Editar e divulgar dous cursos (con material audiovisual e impreso): “Aprende galego a partir do português e aprende português a partir do galego”.
  6. Aumentar nos fondos das bibliotecas públicas os autores en lingua portuguesa, nomeadamente na oferta dirixida ao público infantil e xuvenil.
  7. Favorecer o acceso a recursos científicos relevantes no ámbito lusófono aproveitando a afinidade lingüística.
  8. Promover e apoiar iniciativas culturais de troca cultural e lingüística coa lusofonía.
  9. Realizar unha campaña de promoción turística de Galicia dirixida aos viaxeiros lusófonos, na que se incida na proximidade lingüística entre o galego e o portugués.
  10. Difundir o papel de Galicia como territorio de orixe da lingua medieval galegoportuguesa, da que derivan o galego e portugués actuais.
  11. Realizar campañas ou materiais explicativos sobre a nosa historia lingüística común, por exemplo un documental para algunha plataforma de streaming.
  12. Facer unha campaña para animar as persoas a falaren galego cos visitantes lusófonos e pedirlles a eles educadamente que nos falen en portugués.
  13. Impulsar un festival de música no que participen Galicia e países de fala portuguesa.

É verdade que teríamos preferido participar num plano sem linhas vermelhas, com interaçom transparente e eficaz entre comissões; é verdade que teríamos ficado mais contentes se avançassem, como propusemos, campanhas para que o galego e o português sejam vistos como integrantes do mesmo sistema linguístico ou para que se fomente o uso de construções gramaticais mais próximas do português para esquivar os castelhanismos, mas afinal é só passinho a passinho que se consegue ir mais longe.

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