O lusismo gera o maior consenso

Só Gloria Lago criticou a “Lei para o aproveitamento da lingua portuguesa e vínculos com a Lusofonia” que as cinco forças parlamentares aprovárom a 13 de março de 2014, um dia que considerárom “histórico”



Umha versom do logótipo da CPLP incluindo no centro a bandeira da Galiza coou-se na XIV Reunião Ordinária da CPLP, a qual  decorreu em Praia (Cabo Verde) a 20 de julho de 2009

Umha versom do logótipo da CPLP incluindo no centro a bandeira da Galiza coou-se na XIV Reunião Ordinária da CPLP, a qual decorreu em Praia (Cabo Verde) a 20 de julho de 2009

Por agora, nom tem havido indícios que nos levem a pensar que vai ficar em água de castanhas. Há um ano, no seguimento do primeiro debate parlamentar sobre a Iniciativa Legislativa Popular (ILP) Valentim Paz Andrade, a AGAL recolhia alguns depoimentos do debate nesta mesma publicaçom e realizava um vídeo de entrevistas a algumhas caras conhecidas da política galega que davam diferentes soluçons para a incorporaçom do português ao ensino. Também faziam votos para que a unanimidade na hora de passar a trámite a iniciativa continuasse para traduzir o espírito da ILP em leis eficazes para a divulgaçom da cultura lusófona na Galiza.

Um ano depois, nom só devemos aplaudir a agilidade com que foi tramitada senom também que a Lei voltasse a passar por unanimidade e o facto de que o texto chegasse ao Parlamento consensuado com a Comissom Promotora. Agora a lei vai implementar-se através de decretos, que poderám estar mui próximos a chegar, e algumha medida já poderia ser tomada no próximo ano letivo. Mesmo que afinal nom fosse assim (a lei nom estabelece prazos), o texto, agora com categoria de lei, assenta as bases de um futuro sem dúvida promissor, que promete “valorizar o galego como umha língua com utilidade internacional” ou fomentar “que empresas e instituiçons aproveitem a nossa vantagem lingüística”. Tendo em conta estes avanços, um compromisso orçamentário ou de prazos limitados podia ter comprometido a convicçom com que foi assumida polas forças políticas que estám ou virám a estar no poder e o principal valor com que conta a iniciativa é sem dúvida a rotunda unanimidade com que passou.

Com as lógicas diferenças de matiz e perspetiva, nesta ocasiom os nossos representantes estivérom à altura do que exigia umha sociedade que em geral gabou a iniciativa. Que nós saibamos, entre as vozes públicas galegas, só Gloria Lago, que ultimamente se erigiu em perseguidora do lusismo e que até definiu o PP como independentista, a criticou. A seguir fazemos a nossa compilaçom do que de mais interessante ouvimos na sede parlamentar aos nossos representantes políticos na defesa da ILP:

Ana Pontón (BNG)

Ana Pontom (BNG)

“Vamos ser exigentes com o cumprimento desta lei para que nom seja flor dum dia e concretamente vamos pedir meios para a aprendizagem do português”

Ana Pontom (BNG): Nom realizou emendas à Lei por considerá-la muito positiva no sentido de ampliar as relaçons com a Lusofonia para fortalecer o galego, mas nom deixou de lamentar o facto de ter sido retirado o prazo de quatro anos.

 

Xabier Ron (AGE)

Xabier Ron (AGE)

“Necessitamos que a Lusofonia seja umha realidade e nós sermos umha realidade para a Lusofonia”

Xabier Ron (AGE): Criticou a pouca margem dos partidos da oposiçom para trabalhar sobre o texto, ainda que nom deixasse de valorizar positivamente a inclusom da proposta desta força política no sentido de admitir a reciprocidade das trocas culturais.

 

Agustín Baamonde (PP)

Agustín Baamonde (PP)

“Este texto é realista, de consenso e útil. Eu diria, inclusive, que é um texto que nos pom perante um fito histórico nas relaçons entre a Galiza e Portugal”

Agustín Baamonde (PP): Usou argumentos económicos e culturais para situar o galego como numha via de universalidade e justificou que a lei nom incluísse prazos “inviáveis” para evitar que ficasse num texto altissonante, mas pouco eficaz.

 

Francisco Caamanho (PSOE)

Francisco Caamanho (PSOE)

“Esta iniciativa, que aginha será lei, é sobretodo um projeto de futuro para nos encontrarmos com o nosso passado”

Francisco Caamanho (PSOE): Releu um texto da Geraçom Nós para salientar a importáncia histórica do dia. Destacou o contributo do seu partido na redaçom final do texto para que a lei seja avaliada anualmente polo Parlamento.

 

O que vem com a lei?

  • ENSINO. Incorporará progressivamente a aprendizagem do português em todos os níveis.
  • DIPLOMACIA. Relaçons com a Lusofonia serám consideradas estratégicas.
  • COMUNICAÇOM. Favorecerá troca audiovisual entre a Galiza e Portugal.
Livro de ensino da língua portuguesa

Livro de ensino da língua portuguesa

NOTA:

Artigo publicado originalmente no Fest-AGAL n.º 5 (julho de 2014)


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  • Joám Lopes Facal

    Glória Lago nom existe, é um ovni, um produto dos média

  • Isabel Rei Samartim

    Bem, já sabeis que as ações marcianas tiveram o seu efeito na administração e no conservatório de Compostela… Não será tudo tão doado, sendo que a LPA é um avanço notável com respeito ao passado. Alegro-me desse consenso e que [email protected] estejamos [email protected] a aprender português 🙂

  • Galician

    Muito bem, mas não sei que significa isso de: “COMUNICAÇOM. Favorecerá troca audiovisual entre a Galiza e Portugal.” ?? Troca audiovisual pode ser a co-produção de filmes entre Galiza e Portugal. Não é isso do que fala a lei no artigo 4 ainda que também. O tema das TVs e Rádios é central, e devemos ser claros nisso:

    Artículo 4

    1. La Xunta de Galicia promoverá y estimulará ante el Gobierno la adopción de cuantas medidas positivas resulten necesarias para la aplicación de las disposiciones de la Directiva 2007/65/CE del Parlamento Europeo y del Consejo, de servicios de medios audiovisuales sin fronteras, con el fin de favorecer y permitir la reciprocidad de las emisiones televisivas y radiofónicas entre la Comunidad Autónoma de Galicia y la República de Portugal, con la que comparte patrimonio lingüístico.

    2. La Compañía de Radio-Televisión de Galicia promoverá los intercambios de producciones audiovisuales y de programas completos o partes de estos en los diversos géneros televisivos, así como la colaboración en materia de proyectos audiovisuales nuevos, la cooperación en el empleo de medios de producción técnicos y humanos y la puesta en común de conocimiento aplicado a la producción audiovisual o a la gestión empresarial, con televisiones de lengua portuguesa, especialmente en aquellos ámbitos susceptibles de alcanzar las mayores posibilidades de beneficio mutuo y recíproco.

  • Ângelo Cristóvão

    Pensemos no curto prazo, sim, mas também no longo prazo.

    • Galician

      Sem dúvida, há ir sentando umas bases sólidas para o longo prazo. Afinal se as cousas se fazem bem com boas bases. O tempo irá jogar a favor…

      Justo o contrario do que tem feito o “nacionalismo” político galego de 1970 para cá. Nula capacidade (e nulo interesse provalvemente) para ir assentando umas bases sólidas de construção nacional para o futuro. E por isso agora estão como estão que tem que vir um aposentado de 70 anos como Beiras a regatá-los…