José Carlos Silva – Em 2008 a grande colônia japonesa no Brasil está em festa com a comemoração do centenário da chegada dos primeiros imigrantes no navio Ksato Maru, que aportou em Santos no dia 18 de junho de 1.908.
Depois de 52 dias de viagem, o navio chegou trazendo 781 imigrantes vinculados ao acordo imigratório entre Brasil e Japão, que foram enviados para seis fazendas no interior do Estado de São Paulo para a cultura do café.
Recém chegados a um país de idioma, costumes, clima e tradição completamente diferentes, os imigrantes pioneiros trouxeram consigo esperança e sonhos de prosperidade. Buscavam o sonho de “fazer a América”.

O começo da imigração foi um período difícil, pois os japoneses se depararam com muitas dificuldades. Muitas famílias tentavam retornar ao país de origem, porém, eram impedidas pelos fazendeiros, que as obrigavam a cumprir o contrato de trabalho, que geralmente era desfavorável aos japoneses.
Com o advento da Primeira Guerra Mundial, o número de imigrantes japoneses cresceu. Pesquisas indicam que de 1918 até 1940, aproximadamente 160 mil japoneses vieram morar em terras brasileiras. A maioria dos imigrantes preferia o Estado de São Paulo, pois nesta região já estavam formados bairros e até mesmo colônias com um grande número de japoneses, como nas cidade de Bastos e Piedade, além da capital.
Em 1938, ano antecedente à Segunda Guerra Mundial, o governo brasileiro começou a limitar as atividades culturais e educacionais dos imigrantes, culminando com o fechamento de todas as escolas estrangeiras, principalmente as de japonês, alemão e italiano.
As comunidades oriundas dos países integrantes do Eixo Roma-Berlim-Tóquio começaram a sentir os sintomas do conflito iminente. Em 1940, todas as publicações em japonês tiveram a sua circulação proibida. No ano seguinte, chegaram as últimas correspondências do Japão. Até o fim da guerra, os japoneses viveram um período de severas restrições, inclusive o confisco de todos os bens.
Com o final da guerra, a colônia japonesa reagiu e ampliou a ocupação dos espaços, prova disso foi a eleição, em 1948, de Yukishige Tamura eleito vereador em São Paulo, tornando-se, assim, o primeiro nikkey a ocupar um cargo eletivo em uma capital. Em 1949 os governos dos dois países fixam um acordo e é anunciada a liberação dos bens confiscados dos imigrantes dos países do Eixo, além de investimentos de empresas japonesas no Brasil, que chegam em 1953.
A importância da colônia japonesa no Brasil foi confirmada com a extensa programação cultural que acontece durante todo o ano e a marcante presença do Príncipe Nahurito no mês de junho, quando participou de inaugurações e apresentações de grupos tradicionais japoneses, formados pelos descendentes e por simpatizantes não japoneses. O ponto alto da visita foi o desfile no Sambódromo de São Paulo.

Cem anos depois, completamente integrados no panorama multicultural do Brasil, o Japão está plenamente representado no bairro paulistano da Liberdade. Passear por suas ruas é fazer uma viagem ao oriente, tanto na sua decoração, como em seu comércio e moradores.
Os japoneses trouxeram junto com a vontade de trabalhar, sua arte, costumes, língua, crenças e conhecimentos que influenciaram e contribuíram muito para o desenvolvimento sócio cultural do Brasil.
O Bairro da Liberdade
O famoso bairro oriental de São Paulo já foi palco de grandes lutas na história da capital. O nome Liberdade vem dos tempos da abolição dos escravos. Antigamente, a área era conhecida como Campo da Forca. No centro do bairro, no largo está a Igreja da Santa Cruz, que ficou mais conhecida como Igreja dos Enforcados, onde, até hoje as pessoas acendem velas para almas. Nas imediações e existia, já por volta de 1770, um dos primeiros cemitérios da capital paulista, onde eram enterrados os escravos.
Mas foi nos primeiros anos do século XX que o bairro conquistou sua verdadeira vocação ao abrigar os primeiros imigrantes japoneses e a receber os que deixavam as fazendas do interior, que recebiam proteção entre os moradores até se acertarem na capital.
E assim, com o passar do tempo, o bairro incorporou as características orientais. Hoje, a Liberdade é um dos bairros maior atração turística da capital, com suas ruas enfeitadas e coloridas, seu comércio diversificado e sua beleza.
A comunidade instalou ali inúmeros restaurantes, lojas de produtos típicos, associações e entidades culturais, como o Museu da Associação Okinawa do Brasil, erguido em homenagem aos pioneiros de 1908, e o Centro de Estudos Nipo-Brasileiro, fundado após a Segunda Guerra Mundial, desenvolve estudos sobre a imigração japonesa no Brasil e possui uma biblioteca aberta ao público.

+ Mais informações podem ser obtidas nos sítios:
- Homi Danchi. O Brasil que vive no Japão. PGL, 13 de Novembro de 2008.
