O curso mais longo



Cada ano que finalizamos, fazemos uma valoração global dos acontecimentos vividos e subjectivamente afirmamos se foi um ano bom ou ruim. Da mesma forma, ao final dum curso académico, cada estudante ou docente, empregando diferentes critérios, tira uma conclusão sobre os resultados obtidos. Por siso, ao final deste curso sabemos que o ano 2020 não ficará no esquecimento. Ao contrário do que alguns possam pensar, este foi um ano tão longo em incertezas e risco sanitário, que eclipsou a formação integral do aluno e os esforços dos professores para continuar as programações anuais. Um curso que terá a sua prolongação no 1º trimestre do próximo, sem garantias de comunicação com muitas famílias que carecem de meios telemáticos, para que os seus filhos não percam o ritmo dos do seu mesmo grupo. E isso não se arranja dum dia para outro.

Este curso em que congelamos o Centenário da revista NÓS, alongamos a celebração das Letras Galegas na figura emblemática e controvertida de Carvalho Calero, e no que não pudemos despedir-nos dos alunos/as que durante estes sete meses que assistiram às nossas aulas, já é um curso extenso que ficará nas nossas mentes por muitos anos.

Um curso atípico sempre é muito cumprido. A pesar de que as aulas presenciais se suspendam, e isso pareça que os professores deixan de trabalhar, nada tem que ver com a realidade e resulta ser tudo o contrário. As programações há que as adaptar num tempo “record” à nova situação, e as atividades sofrem muitas mudanças, quando não têm que ser adiadas. Depois vêm as correções dos trabalhos dos alunos e para os docentes todo o trabalho se incrementa exponencialmente. No caso dos professores com especialidades o panorama resulta ainda mais complexo; pois muitos deles têm mais de 200 alunos, e para as correções não é suficiente com enviar as soluções dos exercícios. Se os meios telemáticos são bons, os envios chegam em formato *.pdf depois dum simples escàner. Porém, quando as famílias não têm possibilidades ou conhecimentos de informática, tiram-lhe uma fotografia com o telemóvel e isto complica o processo ao termos que editar a foto e fazer as correções . Em fim, uma odiseia que faz que os docentes superem as 10 horas de trabalho ao dia para ter tudo da melhor maneira possível. Por esta ração este curso em que congelamos o Centenário da revista NÓS, alongamos a celebração das Letras Galegas na figura emblemática e controvertida de Carvalho Calero, e no que não pudemos despedir-nos dos alunos/as que durante estes sete meses que assistiram às nossas aulas, já é um curso extenso que ficará nas nossas mentes por muitos anos. Pois segue petando forte a mal chamada “nova normalidade” ao estar chiea de incógnitas, que nada tem de normalidade e que seguem atacando sem piedade as nossas vidas. Trata-se dun micro-organismo que para a sua subsistência, depende de todos nós. E não quero nem lembrar o seu nome.


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