Contrapoder entrevista o presidente da Associaçom Galega da Língua

Miguel Penas: «A vontade tem de ser sempre a de multiplicar»

«Carvalho é vetado pola RAG só por ser reintegracionista»



AGAL na manifestaçom do 17 de Maio de 2013

AGAL na manifestaçom do 17 de Maio de 2013

Da publicaçom digital Contrapoder entrevistárom recentemente o presidente da AGAL, Miguel Penas, para conhecer a sua opiniom sobre a decisom da Real Academia Galega (RAG) de dedicar o Dia das Letras de 2015 a Francisco Filgueira Valverde. Na conversa publicada também aparecem perguntas referidas a outras questões, como a própria atividade da Associaçom Galega da Língua.

No que diz respeito da homenagem que a RAG dedicará em 2015 a Filgueira Valverde, Penas nom centrou as críticas no passado fascista do homenageado, mas em como aproveitou a sua passagem polo poder para promover o conhecido como Decreto Filgueira, que consolidou a normativa isolacionista/castelhanista para os usos oficiais. Neste sentido, o presidente da AGAL acredita que seria «interessante» aproveitar 2015 «para assinalar como foi todo o processo», como se passou «de umha proposta de consenso liderada por Carvalho Calero até chegar, precisamente, ao ‘Decreto Filgueira’ que sanciona a proposta ortográfica utilizada hoje de jeito ‘oficial’».

«Que importância tem Filgueira em tudo isto? Quais som as ligações entre elites galeguistas e quadros políticos do franquismo? Que se pactuou?», pergunta-se Miguel Penas, ao tempo que lembra que Tiago Peres, na recente Breve História do Reintegracionismo, demonstra que há «muita escuridade ainda em todo esse processo, realmente nom conhecemos as motivações mais profundas para que em poucos meses se deitasse no lixo o trabalho de Carvalho e houvesse umha viragem na estratégia ‘histórica’ do galeguismo, começando um processo negacionista ao respeito da unidade lingüística galego-portuguesa, situando-a como umha espécie de pecado original».

Injusta discriminaçom

Penas, mais que criticar a homenagem a Filgueira critica que a RAG continue a obviar «por décimo quarto ano consecutivo» umha pessoa, Carvalho Calero, que além de membro dessa instituiçom foi também o primeiro catedrático de Língua Galega. Pior ainda, o presidente da AGAL lembra que a candidatura de Carvalho Calero para o Dia das Letras tem sido apresentada várias vezes nos últimos anos com um grande apoio social; porém, nom existia «umha reivindicaçom importante nem umha pressom popular intensa para que fosse esta [Filgueira Valverde] a figura das letras de 2015». Neste caso, Penas observa na Real Academia «indícios evidentes de estar muito desligada das pulsões do associacionismo e do movimento que trabalha polo galego dia a dia».

Em opiniom de Penas, Carvalho é um dos autores «mais demandados pola base social do associacionismo que trabalha em favor do galego», mas está a ser vetado pola RAG «só por ser reintegracionista, nom porque nom tenha méritos». Neste ponto, critica que umha instituiçom que deveria servir o povo galego «discrimine umha parte desta sociedade», e aponta que a discriminaçom contra Carvalho é a mesma que padecem outros vultos, como Ernesto Guerra da Cal ou Jenaro Marinhas del Valle.

ILP Paz-Andrade

A Iniciativa Legislativa Popular de aproveitamento da língua portuguesa e vínculos com a Lusofonia (ILP Paz-Andrade) ganhou também presença na entrevista. «A ILP é um acerto e um triunfo de toda a sociedade galega», sentencia Penas, ao mesmo tempo que salienta que «por primeira vez na nossa história recente chegamos a um consenso e unanimidade para reconhecer que o português tem que ter um espaço próprio na Galiza».

No entanto, apesar de ser evidente que «o posicionamento dos que consideramos que o português e a mesma língua que o galego som bem diferentes dos que acham que as falas de Portugal som um idioma estrangeiro», na nova Lei Paz-Andrade «todos cedemos e procuramos esses mínimos que nos unam sempre com vontade de multiplicar». Desta maneira, existe um ponto de partida institucional «que reconhece que nom podemos continuar de costas viradas a essa realidade que se chama Lusofonia»; agora, «o importante e continuar os consensos entre todas e todos mais passos para continuar a avançar. Neste caminho, a ILP pode ser umha alavanca importante que pode funcionar para impulsar muitos projetos que já existiam por toda a nossa geografia».

 


PUBLICIDADE