Por José Ramom Pichel Campos
O grande Gabriel O Pensador, cantor brasileiro de mais ou menos rap, mais ou menos hipe-hope, tem esse começo daquela canção “oi Gabriel!, você está mudando as suas músicas? Não, estou musicando as minhas mudanças”. Este homem é altamente recomendável para conhecer do Brasil não só aos grandes Caetano Veloso, Tom zé ou Gilberto Gil. Mas ao contrário que o Gabriel, mudar é sinónimo de cataventos, porque não assumir de vez a evolução como sistema de referência?, os rios continuam vitalmente, as cousas mudam, a gente de perto morre (fisicamente) mas avante e avante conetados com o presente, tudo é mistura, outro jeito de dizer que as cousas puras, quais as cousas puras?, um outro jeito de dizer racismo é burrice.
Isto também acontece na tecnologia, continuamente questionada por um O!, questionada por um ISTO NAO FUNCIONA!, questionada por TEREI DE DAR-LHE OUTRA VOLTA!, continuamente procurando soluções para esses pequenos problemas que não se dão resolto. No mundo tecnológico a solução é a solução e não a premissa do assunto. Só vale aquilo que melhora as situações, que mais TEM A TEORIA REPETIDA até infinito? A TECNOLOGIA da INFORMAÇAO só funciona quando funciona, a teoria é uma escusa para o hoje que hipoteca o manha.
Mas na língua não. Parece que temos de sofrer continuamente velhas fórmulas, mais uma vez manifes contra e/ou salvar a língua, parece que a teoria é solução e uma e outra manifestação, que sim, ver gente conhecida, essas faces de ano em ano, e como vai o assunto? A dia de hoje ninguém sabe como solucionar que o idioma não desapareça. Só sabemos que até hoje as fórmulas não são as ajeitadas. Sabemos que a língua não se salva com inquéritos, que não se salva com salvas, que não se salva com 50%, que não se salva com monolinguismo nem social nem asocial, que não se salva com o galego é útil sem fazer nada porque o seja na realidade. Isto não é Catalunha nem o País Basco. Não é possível a imersão linguística, nem falamos uma língua minoritária. Mas temos de fazer para já aquilo de “Duro com o problema e brando com as pessoas”. O galego vai morrer se nenhum meninho pode receber toda a sua educação desde 3 anos na sua língua até a tese de doutoramento se precisar, percursos linguísticos.
O galego morrerá se os utentes nunca experimentam que falam uma variedade tão digna e tão rica como a brasileira ou a portuguesa, uma mesma língua com eles. Seguiremos a escutar mitins e contramitins, num novo dia das letras galegas.
(*) Artigo publicado na coluna Medo aos aviões, do jornal Galicia Hoxe.
