PGL Portugal – O líder do Governo de Macau defendeu recentemente que o território tem condições para se transformar num centro de difusão do português e do mandarim, com visos a potenciar as relações entre a China e a lusofonia.
A proposta foi lançada na Assembleia Legislativa pelo deputado Leonel Alves, o único que usou da palavra em português para questionar o novo chefe do Executivo, Fernando Chui Sai On, nos seus dois minutos de tempo de antena, sobre o que pensa da possibilidade de se criar em Macau um centro de difusão de línguas dirigido a profissionais e jovens.
«A região reúne condições para se transformar neste centro, sobretudo no que se refere ao português e mandarim. As nossas instituições já têm cursos de português e inglês, por exemplo, e muitas pessoas pretendem aprender o mandarim e, como temos uma boa e estreita relação com as instituições de ensino superior, temos condições para desenvolver esta tarefa», respondeu Chui Sai On.
Ao considerar a sugestão “boa e pertinente”, o responsável observou que o “essencial é ter estudantes” e que as instituições de ensino devem proceder ao estudo desta questão reiterando que, “de facto as condições estão reunidas”.
O deputado Leonel Alves sublinhou em declarações à Agência Lusa que a «língua portuguesa é fundamental para Macau, a única cidade na China em que o Direito tem origem no Direito continental europeu e concretamente no português», considerando “inconcebível” que um estudante da matéria não saiba português.
«Existem cursos de português, mas faltam é estudantes, por isso o importante é transmitir às camadas mais jovens a utilidade da aprendizagem da língua portuguesa, pois talvez não tenham sido adequadamente informadas de que saber português facilitar a realização profissional, já que constato que, por vezes, desconhecem esta função da língua», sustenta.
A língua de Camões não perdeu importância em Macau nos dez anos seguintes à transição de poderes de Portugal para a China, realça, mas «ainda não foi dado um passo qualitativo em termos de relações comerciais e económicas entre a China e os países de língua portuguesa pela ausência de quadros suficientes que sirvam de intermediários», aponta Leonel Alves.
«Há muitos chineses de Macau e do continente que querem aprender o português e também o inglês e, por outro lado, há muitos quadros estrangeiros que pretendem trabalhar nesta zona do globo e que vão para Pequim ou Xangai aprender mandarim», constata o também advogado.
Para Leonel Alves, Macau «pode ser um pólo de difusão da utilidade do conhecimento dessas línguas e de formação de quadros profissionais na área da interpretação e tradução», até porque tem recursos financeiros, pessoas com experiência no ensino de línguas e «todo um passado de formação linguística», vantagens que, defende, «existem e devem ser desenvolvidas».
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