Luar na Lubre, música celta desde a Galiza



luar-na-lubre-foto-por-diario16O depoimento de hoje da mini-série que estou a dedicar a pessoas coletivas lusófonas, e, nomeadamente a grupos musicais da Galiza e de Portugal, é o último que publico desta pequena série, em parte devido a que esperava que os nove artigos que levo publicados dedicados a outros tantos grupos musicais portugueses e galegos, tivessem melhor e maior acolhida entre os leitores do PGL. Por isto, fecho a mini-série com o dedicado a Luar na Lubre, uma banda galega focada na música de tipo celta, criada na cidade de Corunha no ano 1986. Com o depoimento da próxima semana retomo a ampla série sobre grandes vultos dos países lusófonos, nomeadamente literatos, cineastas, educadores, artistas e cientistas. O presente é o número 60 da série de artigos dedicada à Lusofonia.

PEQUENOS DADOS SOBRE LUAR NA LUBRE
De forma sintética apresento uns pequenos dados biográficos do grupo Luar na Lubre. Este grupo galego de música folk nasceu em 1986 na cidade herculina, enquadrando-se desde o primeiro momento dentro da denominada música celta. Os seus fundadores adotaram o nome de Luar na lubre, que em galego significa algo assim como “resplandor da lua no bosque sagrado onde os druidas celtas organizavam os seus rituais”. Como instrumentos musicais, desde os inícios, usaram a gaita galega de foles, a gaita midi, o acordeão diatónico, o violino, as flautas e “whistles”, a guitarra acústica (por vezes também a elétrica), o “bouzouki”, e a pandeireta ou “bodhrán”. A cantora e vocalista na atualidade é Irma Macias. A música de Luar na Lubre baseia-se fundamentalmente no folclore da Galiza, embora, com muita influência também da música das regiões consideradas de tradição celta (Irlanda, Escócia, Gales e Bretanha) na linha com a corrente celta doutros grupos folk galegos. Atitude que tem defensores e detratores: os primeiros aplaudem a grande internacionalização que a música da Galiza logrou com isto e defendem além disso que a Galiza possui laços históricos, geográficos ou de solidariedade linguístico-cultural com essas outras regiões do Atlântico europeu; os segundos criticam que o celta substitui o caráter da música tradicional galega por uma estética de inspiração irlandesa e escocesa, bastante diferente, propiciando fora da Galiza a identificação errada de dita fusão desvirtuada com um estilo de folk mais genuinamente galego (como poderia ser o de Milhadoiro e o de Fuxam os Ventos).

A música de Luar na Lubre baseia-se fundamentalmente no folclore da Galiza, embora, com muita influência também da música das regiões consideradas de tradição celta (Irlanda, Escócia, Gales e Bretanha) na linha com a corrente celta doutros grupos folk galegos.

Com os anos, o estilo de Luar na Lubre evoluiu de forma notável, mesmo adquirindo certa sofisticação. Em 1996 o músico britânico Mike Oldfield incluiu uma adaptação do tema “O Som do Ar” no seu disco “Voyager”, e convidou a Luar na Lubre para fazer uma digressão mundial, o que deu ao grupo galego certa fama internacional. No ano 2003, realizaram a composição do tema “Memória da Noite”, com motivo da desgraça e naufrágio do barco Prestige nas nossas costas. Em 2009, comemoraram o seu 25 aniversário, gravando o seu primeiro disco ao vivo no Teatro Colón da Corunha, e convidando a participar também a músicos e cantores como Luz Casal, Pedro Guerra ou Diana Navarro.
Em novembro de 2010 sai à luz o disco Solstício, um projeto centrado na música medieval e especialmente na riqueza da lírica galaico-portuguesa e as influências da música de Compostela da época de Prisciliano. Em setembro de 2011, por razões pessoais, Sara Vidal deixa o grupo, e o dia 3 de novembro deste mesmo ano entra Paula Rei como vocalista, atuando no Teatro Colón. Com ela foram apresentados cinco discos, dous deles com DVDs gravados em direto: Sons da Lubre nas Noites de Luar, com o concerto gravado também em direto em Compostela em julho de 2012, e Torre de Breogham, projeto audiovisual apresentado em 2014 no Paço da Ópera da Corunha, em que o grupo é acompanhado pela Orquestra Sinfónica da Galiza, para narrar a história que une a Galiza e Irlanda nos escritos do Leabhar Ghabhála, e também a interpretação sinfónica de clássicos do grupo.
luar-na-lubre-foto-do-grupoCom a edição do seu trabalho em lembrança do seu trinta aniversário, o grupo fecha em 2016 um ciclo, em que além de recuperar alguns dos seus temas menos conhecidos, rendem homenagem ao harpista Emílio Cao, com o seu tema “Fonte do Aranho”, contando com a colaboração de Ismael Serrano. No ano 2018 apresentam o seu novo disco intitulado Ribeira Sacra, um trabalho que, segundo afirmam, tem como objetivo pôr em valor através da música a riqueza histórica, etnográfica, natural e monumental desta linda comarca situada ao lado do rio Sil, entre Lugo e Ourense. Acompanhados por diversos artistas, como Víctor Manuel, Sés, o Coral de Ruada, Nani Garcia, a asturiana Marisa Valhe Roso, Juan A. Antepazo de Astarot, Irma Macias Suárez e Brais Maceiras, entre outros muitos. Os dous últimos, Irma (cantora) e Brais (acordeão), acompanham na atualidade no seu percurso de apresentação do CD “Ribeira Sacra”, que leva a música, o idioma e a cultura galega a diferentes lugares de toda Europa e mesmo a América Latina.
Na atualidade o grupo está composto pelos seguintes membros: Irma Macias (voz), João Cerqueiro (flautas), Patxi Bermúdez (“bodhram”, tambor e “djembé”), Bieito Romero (gaitas, acordeão diatónico e zanfonha), Brais Maceiras (acordeão diatónico), Núria Naya (violino), Pedro Valero (guitarras) e Xavier Ferreiro (percusões latinas e efeitos).

Na atualidade o grupo está composto pelos seguintes membros: Irma Macias (voz), João Cerqueiro (flautas), Patxi Bermúdez (“bodhram”, tambor e “djembé”), Bieito Romero (gaitas, acordeão diatónico e zanfonha), Brais Maceiras (acordeão diatónico), Núria Naya (violino), Pedro Valero (guitarras) e Xavier Ferreiro (percusões latinas e efeitos).

Em épocas anteriores foram também membros Rosa Cedróm, Sara Louraço Vidal, Paula Rei Torreiro, Ana Espinosa, Eduardo Coma, Júlio Varela, Antia Ameijeiras, Daniel Sisto, Xavier Cedróm e Andrés Bardulhas.
Nota: Uma ampla informação sobre a história do grupo, a discografia e outros dados pode ser consultada na sua página web oficial.

FICHAS DOS DOCUMENTÁRIOS
0.-Concerto no Instituto Cervantes de París.
Duração: 40 minutos. Ano 2018.

1.-O Som do ar, por Luar na Lubre.
Duração: 8 minutos. Ano 2009.

2.-Camarinhas, por Luar na Lubre.
Duração: 5 minutos. Ano 2019.

3.-Romeiro ao longe, por Luar na Lubre.
Duração: 5 minutos. Ano 2012.

4.-Entrevista a Bieito Romero, líder do grupo, sobre um novo CD.
Duração: 7 minutos. Ano 2019.

5.-Toca Brais, por Luar na Lubre.
Duração: 5 minutos. Ano 2018.

6.-Apresentação do CD Ribeira Sacra em Barcelona.
Duração: 12 minutos. Ano 2019.

7.-Romeiro ao longe (com Diana Navarro).
Duração: 5 minutos. Ano 2009.

DISCOGRAFIA BÁSICA DO GRUPO
A lista de discos que chegaram a editar é a seguinte:
a.-Discos (CDs e álbuns)
– O Som do Ar (1988).
– Beira Atlántica (1990).
– Ara Solis (1993).
– Plenilúnio (1997).
– Cabo do Mundo (1999).
– Espiral (2002).
– Há um paraíso (2004).
– Saudade (2005).
– Caminhos da Fim da Terra (2008).
– Ao Vivo (2010).
– Solstício (2010).
– Mar Maior (2012).
– Extra: Mundi (2015).
– Ribeira Sacra (2018).
– Vieiras e Vieiros (2020).
b.-Discos simplesluar-na-lubre-capa-cd-solsticio
– Tu Gitana (1997).
– Os teus olhos (1998).
– Pandeirada das fiandeiras (1998).
– O Som do Ar (1998).
– Chove em Compostela (1999).
– Romeiro ao Longe (1999).
– Mull of Kyntire (2002).
– Há um paraíso (2004).
c.-Compilações (antologias)
– O melhor de Luar na Lubre (XV Aniversário) (2001).
– Discografia básica escolmada (2002).
– Há um paraíso (2003).
– Sons da Lubre nas Noites de Luar (2012).
– Torre de Breoghám (2014).
– Escolha especial de Temas, pelo 30 Aniversário (2016).
d.-Vídeos:
– Um bosque de música (DVD) (2004).

TEMAS PARA REFLETIR E REALIZAR
Visionamos os documentários referidos antes, e depois desenvolvemos um cinemafórum, para analisar o fundo (mensagem) destes, assim como os seus conteúdos.
Organizamos nos nossos estabelecimentos de ensino uma amostra-exposição monográfica dedicada ao grupo Luar na Lubre da Galiza. Nela, além de trabalhos variados dos escolares, incluiremos desenhos, fotos, murais, frases, textos, lendas, livros, discos, CDs e monografias.
Podemos realizar no nosso estabelecimento de ensino uma Audição Musical das mais famosas peças do grupo, em que participem alunos e docentes. A escolha das peças musicais e de cantares da audição podemos fazê-la dos seguintes discos: O melhor de Luar na Lubre (2001), Beira Atlántica (1990), Mar Maior (2012), Sons da Lubre nas Noites de Luar (2012) e Ribeira Sacra (2018).

José Paz Rodrigues

É Professor de EGB em excedência, licenciado em Pedagogia e graduado pela Universidade Complutense de Madrid. Conseguiu o Doutoramento na UNED com a Tese Tagore, pioneiro da nova educação. Foi professor na Faculdade de Educação de Ourense (Universidade de Vigo); professor-tutor de Pedagogia e Didática no Centro Associado da UNED de Ponte Vedra desde o curso 1973-74 até à atualidade; subdiretor e mais tarde diretor da Escola Normal de Ourense. Levou adiante um amplíssimo leque de atividades educativas e de renovação pedagógica. Tem publicado inúmeros artigos sobre temas educativos e Tagore nas revistas O Ensino, Nós, Cadernos do Povo, Vida Escolar, Comunidad Educativa, Padres y Maestros, BILE, Agália, Temas de O ensino, The Visva Bharati Quarterly, Jignasa (em bengali)... Artigos sobre tema cultural, nomeadamente sobre a Índia, no Portal Galego da Língua, A Nosa Terra, La Región, El Correo Gallego, A Peneira, Semanário Minho, Faro de Vigo, Teima, Tempos Novos, Bisbarra, Ourense... Unidades didáticas sobre Os magustos, Os Direitos Humanos, A Paz, O Entroido, As árvores, Os Maios, A Mulher, O Meio ambiente; Rodrigues Lapa, Celso Emílio Ferreiro, Carvalho Calero, São Bernardo e o Cister em Ourense, em condição de coordenador do Seminário Permanente de Desenho Curricular dos MRPs ASPGP e APJEGP.

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